01/02/2010










VEJA OUTRAS IMAGENS

Alice no país das borboletas



















15/09/2009

Acordais














Colagens inspiradas no livro "Acordais - Fundamentos Teórico-Poéticos da Arte de Contar Histórias" de Regina Machado.

15/07/2009

Sobre aquilo que cativas...

Afetos e desafetos de um príncipe pequeno.
Baseado na obra de Saint-Exupéry.

Love and lonliness of a little prince.
Based upon " The Little Prince" by Saint-Exupéry.


pequeno príncipe 1 from adriana peliano on Vimeo.



"Once upon a time there was a little prince who lived on a planet that was scarcely any bigger than himself, and who had need of a friend . . ."

Pequeno Príncipe 3 from adriana peliano on Vimeo.



“You become responsible, forever, for what you have tamed.”

Pequeno Príncipe 2 from adriana peliano on Vimeo.



"If you please--draw me a sheep!" "Draw me a sheep!"
So then I made a drawing.
He looked at it carefully, then he said: "No. This sheep is already very sickly. Make me another."
So then I did my drawing over once more. But it was rejected too, just like the others.
"This one is too old.”
By this time my patience was exhausted, because I was in a hurry to start taking my engine apart. So I tossed off this drawing. And I threw out an explanation with it.
"This is only his box. The sheep you asked for is inside."
I was very surprised to see a light break over the face of my young judge: "That is exactly the way I wanted it."


Untitled from adriana peliano on Vimeo.



“I did not know what to say to him. (…) It is such a secret place, the land of tears.”

Untitled from adriana peliano on Vimeo.



"But seeds are invisible. They sleep deep in the heart of the earth's darkness, until some one among them is seized with the desire to awaken. Then this little seed will stretch itself and begin--timidly at first--to push a charming little sprig inoffensively upward toward the sun. If it is only a sprout of radish or the sprig of a rose-bush, one would let it grow wherever it might wish. But when it is a bad plant…"

Untitled from adriana peliano on Vimeo.



"Of course I love you," the flower said to him. "It is my fault that you have not known it all the while. That is of no importance. But you--you have been just as foolish as I. Try to be happy . . . Let the glass globe be. I don't want it any more." "But the wind--""My cold is not so bad as all that . . . The cool night air will do me good. I am a flower." "But the animals--" "Well, I must endure the presence of two or three caterpillars if I wish to become acquainted with the butterflies. It seems that they are very beautiful. And if not the butterflies--and the caterpillars--who will call upon me?”

Untitled from adriana peliano on Vimeo.



"The flowers have been growing thorns for millions of years. For millions of years the sheep have been eating them just the same. And is it not a matter of consequence to try to understand why the flowers go to so much trouble to grow thorns, which are never of any use to them? Is the warfare between the sheep and the flowers not important?”


CRÉDITOS

Criação, performance e voz: Adriana Peliano
Fotografia e Trilha Sonora: Paulo Beto
Assistente de produção: Marina Peliano

Dizcontos de Fadas


Para participar dessa pesquisa, acesse o meu novo blog:
http://discontosdefadas.blogspot.com/

Mil peles | Thousand Furs


Ilustração | Illustrations by Arthur Rackham

Então ela disse para o Rei, seu pai: “antes de satisfazer seu desejo, eu desejo um manto feito de milhares de peles diferentes, cada animal do seu reino deve conceder um pedaço de pele para isso. O Rei não desistiu. E finalmente, quando tudo estava pronto, ele ordenou que o manto fosse trazido diante da princesa e então disse: “nosso casamento será amanhã!”. Quando a princesa viu que não teria mais como mudar a decisão de seu pai, ela decidiu fugir para dentro da floresta.

Then she said to the King, her father: "Before I fulfill your wish, I wish a cloak made of a thousand different kinds of skin; every animal in your kingdom must give a bit of his skin to it.” The King was not to be turned from his purpose, at last, when all was ready, the King commanded the cloak to be brought to him, and be spread it out before the Princess, and said, 'To-morrow shall be your wedding-day.' When the Princess saw that there was no more hope of changing her father's resolution, she determined to run away into the woods.




Este traje foi criado para o desfile "Arte na Moda e Moda na Arte" parte integrante do festival Verão Arte Contemporânea, no teatro Francisco Nunes em Belo Horizonte, em janeiro de 2009.

This costume was produced for a fashion show in one art festival / 2009.





Modelos: Marina Peliano e Lúcio Honorato (passarela).

Alice


ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS | ALICE IN WONDERLAND

PERSONAGENS
| CHARACTERS



Coelho Branco

O Coelho Branco foi o ponteiro de Alice para o País das Maravilhas. Passou apressado sempre atrasado, de relógico boca dando corda para Alice ir correndo atrás dele. Vê se não dê mola e saltitantes que seja tarde! Coelho da linguagem, engrenagem movimentes.

“É tarde, é tarde, tão tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô! Adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”
Coelho Branco na Disneylândia


White Rabbit

The White Rabbit made Alice burn with curiosity. This one has a clock as its mouth, always chasing the time, always late.
Rabbit of the language, has no body, just the movements’ structure. Jumps and starts in several curves, springs and spirals, masks and tricks.



Lagarta

“A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio. Finalmente, a Lagarta tirou o narguilé da boca e perguntou, em voz lânguida e sonolenta: ‘Quem é você?’ ‘– Eu ...eu... nem mesmo sei, senhora, nesse momento ...eu... enfim, sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.” (capítulo V – Conselhos de uma lagarta)

Andando entre a vegetação rasteira e medindo aproximadamente 8 centímetros, Alice encontra uma lagarta sentada sobre um cogumelo,
fumando um narguilé.
O cogumelo de chapéu amarelo é uma labirintica-à-beça e psicodelícia, terra das alicinações. Sobre um disco perfeitamente circular, discurso ao redor do mesmo ponto, se enrosca o corpo da Lagarta. A boca de Dali é um narguilé surrealista que nos pergunta quem somos, nos deixando em eterna dúvida sobre quem é quem. Lagarta, cogumelo e narguilé, mecanismo de identidade infinita em contínua transformação.


Caterpillar

Alice found the Caterpillar sitting on a mushroom and smoking a hookah.
The mushroom is an amazing psychedelic head and its hat is a perfect rounded record, turning around the same point.
Salvador Dali’s mouth is a surrealistic hookah, asking Alice for her identity, asking us for its own nature. The Caterpillar, the mushroom and the hookah mix with each other building a multiple identity in continuous transformation.



O Chapeleiro Louco

“– Se você conhecesse o Tempo tão bem como eu conheço – disse o Chapeleiro – não falaria em gastá-lo como se ele fosse uma coisa. Ele é alguém. – Não sei o que você quer dizer – respondeu Alice. – Claro que não sabe! – disse o Chapeleiro, inclinando a cabeça para trás com desdém. – Diria mesmo que você jamais falou com o Tempo! – Talvez não – replicou Alice cautelosamente – mas sei que tenho de marcar o tempo quando estudo música. – Ah! Olhe aí o motivo! – disse o Chapeleiro. – O Tempo não suporta ser marcado como se fosse gado. Mas se você vivesse com ele em boas pazes, ele faria qualquer coisa que você quizesse com o relógio. “
(capítulo VII – Um chá bastante louco)


O Chapeleiro brigou com Tempo que parou o relógio às seis horas da tarde, pra sempre na hora do chá.
Múltipla personalidade, carcaça de relógico afogada no ser ou não ser.
Chá + Pé + Lelé vive com a Lebre de marcha ré (march hare).
O chá do chá – peleiro que sabe jogar xadrez, mas que joga chá à três.
Cha – peleiro de boca de xícara ou a xícara que bebe na xícara de chá.


Mad Hatter

Tea in English, chá in Portuguese. Feet in english, pés in portuguese. Cha+pés=chapéus in portuguese, hat in english. Buffoon to the Queen court, he had a fight with the time that stopped to him, and now forced him to leave always at six o’clock. Skeleton of a clock which doesn’t work anymore. Hatter with a cup as a mouth, so the cup drinking in a cup.



A Lebre de Março

“– Eu digo o que penso – apressou-se Alice a dizer. – Ou pelo menos… pelo menos penso o que digo… é a mesma coisa não é? – Não é a mesma coisa nem um pouco, protestou o chapeleiro. – Seria o mesmo que dizer que “Vejo o que como”, é o mesmo que “Como o que vejo”. – Seria o mesmo que dizer – acrescentou a Lebre de Março – que “Gosto daquilo que consigo” é o mesmo que “Consigo aquilo de que gosto”. – Seria o mesmo que dizer – acrescentou o dormundongo*, parecendo falar enquanto dormia – que “Respiro quando durmo”é o mesmo que “durmo quando respiro.” No seu caso é a mesma coisa – disse o Chapeleiro.”
(capítulo VII – Um chá bastante louco)


A Febre de Março e o Chapeleiro fora de moda são os carteiros do Rei do outro lado do espelho. Mas através do espelho tudo se inverte. O careteiro vira de bananeira e mergulha de ponta cabeça no chá. De pernas pro ar, orelhas que se arte-pulam.
– Eu bebo tudo o que vejo ou pelo menos vejo tudo o que bebo… é a mesma coisa, ou não é?


March Hare

The March Hare is also hare brained. As a nonsense inversion, its legs becames its long ears. Always articulating and attacking the common sense and the good manners.



O Dormindongo

Dormindongo que dorme no ponto, vive com o Chapeleiro que parou no tempo e a Febre de Morte.
Pra sempre na hora do chá, xícara e lâmpada que se desloucam para raramente acordar.


Dormouse

It is in the mad tea party. A tea pot and a cup, can be changed to fall asleep or to wake up, in very rare moments.



Os dois Lacaios:
Loucaio Peixe


"Durante um ou dois minutos ficou diante da casa, perguntando-se sobre o que devia fazer, quando de repente surgiu um lacaio correndo de dentro do bosque (ela considerou um lacaio por que estava de libré, mas a julgar pela cara diria apenas que era um peixe), o qual bateu ruidosamente à porta. Essa foi aberta por um outro lacaio de libré, com uma cara arredondada e grande olhos de rã. Os dois lacaios tinham cabeleiras empoadas e encaracoladas. Alice ficou curiosíssima de saber o que se passava e esgueirou-se furtivamente do bosque para escutar." (capítulo VI – Porco e pimenta)

Lacaio que chega do bosque, nadando em sua cabeleira.
Trás as cartas da Rainha para a Duquesa, para a Pata deixa mensagens da Tainha.
Peixe fora d’água, boca que é jarra jorrando palavras.


Fish Footman

The Fish-Footman arrives from the wood, swimming on its own curl. Fishing out of the water, mouth as a vase dropping words.



Loucaio Rã

“– Como é que eu posso entrar? – perguntou Alice outra vez em tom mais alto. – Você precisa entrar de qualquer modo? – disse o Lacaio. – Essa é a primeira questão, você sabe. Era, sem dúvida: só que Alice não gostou nada que lhe dissessem isso. “É realmente medonha”- murmurou para si mesma – “a mania que essas criaturas têm de discutir. É de enlouquecer qualquer um!” (capítulo VI – Porco e pimenta)

Alô! Aloucaio da Duquesa!? Será que eu posso falar?
Ele até que responde mas nunca se toca. Telefone sem fio vive dando o fora no gancho.


Frog Footman

The Frog Footman sends and receives messages. Double relation on form and function.



A Duquesa e o Bebê

A Duquesa ilustrada por Tenniel nas ilustrações originais de Alice, foi inspirada num quadro do pintor seiscentista Quentin Matsys, retratando muito provavelmente Margaretha Maulstach, que ficou conhecida como a mulher mais feia da história. “Maulstach” significa “pocket mouth”, ou boca de bolso. (Ver Annotated Alice) Duquesa horrorosa com boca de bolseta. Em Pata na cozinha que é tabuleiro de xadrez. Chave do boca que torce a porca, ou bebê que se contorce e se transforma num porco.
Duck + chess = Duchess (nariz de pato + xadrez = duquesa)


A Cozinheira

Essa cara de pau está muito ocupada mexendo a sopa e atirando pra todo lado.
Cozinheira apimentardemais: mais pimenta, mais pimenta!


Duchess with the baby

The Duchess illustrated by Tenniel and then creating a long tradition, was inspired on a picture of XVI th century. The canvas was painted by Quintin Matsys, depicting probably Margaretha Maulstach, known as the ugliest woman in the history. As “Maulstach” means “pocket mouth”, this Duchess has an wide open pocket mouth.
Her arms are wrenches to distort the baby. Duck + chess = Duchess.

The Cook

Wooden spoon stirring the soup. Peppering cook, jumping and firing.



O Bebê que virou Porco

“Logo que descobriu uma maneira adequada de acalentá-lo (que consistia em retorcê-lo como se fosse um nó, conservando bem presos a sua orelha direita e seu pé esquerdo, afim de evitar que ele desatasse), carregou-o para o ar livre. “Se eu não levar essa criança comigo” – pensou Alice – com certeza vão matá-la qualquer dia desses. Não seria um crime deixá-la aí?” (Capítulo 6: porco e pimenta)

Dessa vez foi só arrancar os braços e as pernas do seu corpo para que ele parasse de espernear tanto e desatasse, virando um porco.

Baby turned into a Pig

It was just to extort its arms and legs and then it stopped kicking. That’s because Lewis Carroll himself adored children except the boys.



O Gato de Cheshire

“– Gatinho de Cheshire – (...) – Podia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui? – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato. – Não me importa muito onde ... disse Alice. – Nesse caso, não importa por onde você vá – disse o Gato. – Contanto que eu chegue em algum lugar – acrescentou Alice como explicação.– É claro que isso acontecerá, desde que você ande durante algum tempo. Isso Alice viu que era impossível negar.” (capítulo VI – Porco e pimenta)

As respostas do gato filosófico já deram muito o que falar. Martin Gardner, numa edição comentada sobre Alice, conta que John Kemeny colocou esse trecho da história no início de um capítulo sobre a ciência e os valores, no livro A philosopher Looks at Science (1959). Para ele a resposta do gato expressa muito precisamente o eterno conflito entre a ciência e a ética. Se por um lado a ciência não pode nos indicar para onde ir, a partir dessa decisão com base em princípio e valores éticos, ela pode nos oferecer o melhor caminho para chegarmos lá.
Visão perspicaz, o guidon de uma Harley Davidson expressa o domínio da direção, a decisão para onde ir. A roda por sua vez, pode nos conduzir até onde queremos chegar, mas sozinha não tem direção.


Cheshire Cat

In Annotated Alice, Martin Gardner tells us that John Kemeny in the book ‘A philosopher looks at science’ (1959) compared this famous dialogue and the relations between science and ethics. The science cannot tell us where to go, but after this ethic decision, can show the way to arrive there.
This duality is depicted on the eyes of the philosofical cat. The handlebar of a Harley Davidson express the decision of where to go, and the wheel can take us, but itself doesn’t have direction.



O Carrasco

Carta da Corte. Corta o baralho. Sentença de Morte. Tábua de corte, gilete e tesouras. Cortem-lhe a cabeça!
Quando ele foi chamado para decapitar o gato de Chershire, entrou em conflito com o Rei de Copas.
A posição do carrasco era de que:"não se podia cortar uma cabeça que não estivesse presa num corpo." (capítulo VIII – O campo de croquet da Rainha)
Não dá mesmo cortar com os braços cruzados e essa é a posição do carrasco.


Executioner

One card of the pack, the executioner of the Queen and the King of Hearts. Cutting board, plate to cut as a mask and scissor- arms.
When he is invoked to cuts off the Cat’s head, his argument is that “you couldn’t cut off a head unless there was a body tu cut it off from.” Crossed arms refusing to cut.



Rei de Copas

O Rei de copas é tímido e submisso às ordens da Rainha de Cooortem-lhe a cabeça!
Rei de coração na mão e zíper aberto. Tábua de cortar carne com duas cabeças (como nas cartas do baralho). Só que uma já foi cortada. Vira então peça de quebra cabeça.
Tesoura aberta que é óculos e bigode, mas que é também a sua própria cabeça ameaçada. Quando apelou para que o carrasco cortasse a cabeça do gato de Chershire, o ponto de vista do Rei era de que:

“Qualquer um que tivesse uma cabeça poderia ser decapitado.” (capítulo VIII – O campo de croquet da Rainha)


King of Hearts

The King of Hearts is shy, week and meek to the castrating Queen. Cut board of cutting, he has now two heads as the cards of the pack. But one of that was already cut off, and he became a puzzle peace.
When he invokes the executioner to cuts off the cat’s head, his argument is that “anything that had a head could be beheaded, and that you weren’t to talk nonsense.” Of course he had his own head threated.



A Rainha de Copas

Quem foi que disse que a Rainha de cócoras não tem coração? Ela tem muitos corações, tesouras de copas, de cortar qualquer coração. Ela tem muita cor e ação.
Na fantasia a Rainha é sexy, poderosa e dominadora. Será que o Rei...
Cálice agora ou então corto-lhe a cabeça!

“- Qual é a graça?” – perguntou Alice. – “Ora, ela é que é engraçada” – disse o Grifo. – “Você sabe, isso é tudo fantasia dela: nunca executam ninguém. Vamos!” (capítulo IX – A história da falsa tartaruga)


Queen of Hearts

Card of the pack. Head up and head down. “Off with her head”. Cut and be cut because the meaning is always double meaning.
Who said that the Queen doesn’t have a heart? She has many hearts, inversions in many sides, as the cards. Scissors of hearts, scissor with double head, cut heart, cut head. Calix of a bloody white rose. Castrating Queen, powerful and exuberant sexuality. But as said the griphon very smartly, it’s all her fantasy.



A Falsa Tartaruga

“Que bela sopa!
Quem não se baba, quem não a papa!
Quem não a gaba!
Quem não daria tudo só para beliscar essa bela Sopa?!” (capítulo X – A Quadrilha da Lagosta)


A falsa tartaruga era uma referência a uma prato muito conhecido na Inglaterra vitoriana, uma sopa de tartaruga verde que era muitas vezes feita com carne de vitela. Em função disso, a falsa tartaruga aparece nas ilustrações originais de Alice com a cabeça, as patas e a cauda de bezerro.
Essa falsa tartaruga tem o casco de prato vazio de sopa e a cabeça de colher partida. Ou será a pata de um bezerro? Ou ainda a lágrima caída de um prato vazio? Bem, pode ser tudo fantasia dela.


Mock Turtle

According to Martin Gardner, the Mock turtle was a reference to the green turtle soup, usualy made from veal. This is why Tenniel drew his mock turtle with the head, hind hoofs, and tail of a calf.
This Mock turtle has a skull like an empty soup plate, and a head like a spoon in the shape of the calf’s hoofs.

Gata Branca

2009












Leia também:
O GATO: UM CONTO DA REDENÇÃO FEMININA. MARIE LOUISE VON FRANZ
Coleção Amor e Psique. Paulus Editora, 2001.

08/05/2009

Alice

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS | ALICE IN WONDERLAND

ILUSTRAÇÕES | ILLUSTRATIONS



Capítulo 1: Entrando na toca do coelho

"Alice começava a enfadar-se de estar sentada no barranco junto à irmã e não ter nada que fazer: uma ou duas vezes espiara furtivamente o livro que ela estava lendo, mas não tinha figuras e nem diálogos, “e de que serve um livro” – pensou Alice – “sem figuras nem diálogos?”

Atendendo ao apelo de Alice, Lewis Carroll escreveu as suas aventuras repletas de diálogos, que foram ilustradas por ele mesmo no manuscrito que deu de presente para Alice Liddell no Natal de 1864, com o nome de ‘As Aventuras de Alice no Subterrâneo'.

O retrato das três irmãs Liddell, Alice, Lorina e Edith foi pintado pelo artista pré-rafaelita William Richmond, um ano depois. No quadro estão as três meninas que ouviram a estória de Alice pela primeira vez, num passeio de barco com Lewis Carroll numa tarde dourada perto de Oxford, onde viviam. Sobre essa imagem depositam-se vestígios do manuscrito original da estória.

Saltando do quadro vem o Coelho Branco, convidando Alice para um país de maravilhas com muitos diálogos e figuras, nas profundezas do sonho e na superfície da linguagem.


Chapter 1: Down the rabbit-hole

Leaving the picture the white rabbit invokes Alice to the Wonderland, a new reality with many pictures and conversations in the depths of dreams and surfaces of the language.

The back image is a picture of the three sisters, Alice, Edith and Lorina, painted by the pre-raphaelite artist William Richmond in 1865. Over this picture is the image of the first page of Alice’s Adventures Under ground.



“Logo depois Alice entrou atrás dele, sem pensar sequer em como sairia dali outra vez.A toca do coelho se alongava em linha reta como um túnel, e de repente abria-se numa fossa, tão de repente que Alice não teve nem um segundo para pensar em parar, entes de ver-se caindo no que parecia ser um poço muito profundo.”

Entrar na toca e atravessar o espelho preenchem funções idênticas nos dois livros de Alice: são ritos de passagem entre a realidade cotidiana e uma outra realidade reinventada pela linguagem. Alice desce vertiginosamente às profundezas do corpo e do inconsciente, enquanto a realidade que deixou para trás se desmonta como um quebra-cabeça, dando espaço para o nascimento de uma nova linguagem. Nada mais pode ser como antes, nem mesmo Alice que vai pouco a pouco perdendo a sua identidade. Anualualice.

Falling down the well is a rite of passage from the commom sense to a new world reinvented by the language. While Alice falls, the reality dismount as a big puzzle.



“Caindo, caindo, caindo. Essa queda nunca teria fim? “Só queria saber quantos quilômetros já desci esse tempo todo!”- disse em voz alta. “Devo estar chegando perto do centro da terra. Deixe ver: deve ter sido mais de seis mil quilômetros por aí...” (...) sim, deve ser mais ou menos essa distância...mas então, qual seria a latitude e a longitude onde estou?”

Alice continua caindo, caindo, caindo, enquanto se pergunta para onde estará indo. Não sabe o que é longitude ou latitude, mas sabe que elas nos ajudam a saber onde estamos. Só que o que Alice aprendeu na escola não pode ajudá-la agora. Ela se aventura num terreno desconhecido, terra incógnita nesse velho mapa.

Cai alualice, cai anualice, cai alicenada, cai, não fica nada. Crateras, saliências e reentrâncias; transparências, aparências e reticências em direção à uma nova realidade.


Down, down, down. Looking around, Alice could see many maps and old pictures while was asking about where she would be going.
But everything that she have learned at scholl is useless at this time. She ventures to an unknown land in this map of the XVI th century. Rounded moviments of transparencies and overlaped images, in the way of a new reality.



Capítulo 2: A lagoa de lágrimas

“De repente, deu com uma pequena mesa de três pés, toda de vidro: não havia nada em cima, exceto uma chavezinha dourada, a primeira idéia de Alice foi que a chave devia servir para uma das portas da sala. Mas, que azar, ou as fechaduras eram grandes demais ou a chave era muito pequena: de qualquer forma não abria nenhuma das portas.”

Quem foi que disse que tamanho não é documento? Alice quer passar pela portinha que leva ao jardim das delícias, mas só que é grande demais. Bebe o líquido da garrafa misteriosa e encolhe até o tamanho certo para passar, só que esqueceu a chavezinha em cima da mesa. Onde Alice está com a cabeça? Bebe e come, cresce e encolhe, mas não se encaixa, jogo de prazeres e desejos nunca realizados. Então cresça e apareça!


Chapter 2: The pool of tears

The size’s room has many erotic simbols. Game of desires never satisfied. Alice drinks and gets smaller,impenetrable lock.



Ainda pequenina, Alice encontra um pequeno bolo onde está escrito: coma-me. Coma-me alualice e então cresça como um telescópio até bater com a cabeça no teto. Anualice chora-me encharcando-se toda até criar ao redor de si uma lagoa de lágrimas. Eis que em seguida surge um rabo de rato para nadar com ela.

“– Seria melhor que não tivesse chorado tanto! – disse ela, enquanto nadava, tentando sair dali. – Serie castigada agora por isso, parece, afogando-me nas minhas próprias lágrimas! Isso será uma coisa bemesquisita, com certeza. Mas tudo aqui é muito esquisito hoje.”


Alice eats the little cake and opens as a falic telescope. Then she begins to cry till creates a pool of tears around her. After this she finds the mouse in her pool of tears.



Capítulo 3: Uma corrida de comitê e uma longa história.

Saindo da lagoa de suas próprias lágrimas, Alice encontrou uma reunião de animais curiosos. Pouco depois o rato começou a contar o seu conto, ponto por ponto. O rabo do rato é a sua longa história, jogo entre tail/tale escrito com a própria letra de Lewis Carroll.

No centro está Alice Liddell na famosa fotografia de Carroll, que também participa do jogo, junto com as irmãs de Alice, Edith e Lorina. Enquanto contava a estória de Alice durante o passeio de barco com as três, Lewis Carroll ia fazendo brincadeiras com as palavras, trocadilhos e jogos de linguagem. Ele era o Dodó, animal extinto das ilhas Maurício, visto que sendo gago, se apresentava como Do-do-gson (seu verdadeiro nome era Charles Dodgson), Edith era a águia, eagle, e Lorina o papagaio, Lory.

Colagem a partir de tapetes, pinturas e gravuras criadas em expedições de viajantes entre os séculos XVI e XIX, representando a natureza brasileira, exótica e exuberante.


Chapter 3: A cactus-race and a long tale

Assembling made of pictures of pantings and carpets of the XIX th century, created by travellers depcting the brazilian fauna, exotic and exuberant. With the animals a hand painted photo of Alice Liddell by Lewis Carroll, and the faces of Do-do-gson, Edith - eagle, and Lorina - lory.



Capítulo 4: O Coelho envia uma emissário

“– E agora, Pat, me diga: o que é que está saindo daquela janela? – Hum, é um braço, patrão, é um braço! – Um braço, seu idiota! – Quem já viu um braço daquele tamanho? Ora essa, ele ocupa a janela toda! – Hum, é mesmo patrão, é mesmo: mas não deixa de ser um braço. – Bom, seja como for, não tem nada que fazer ali, vá lá e tire ele imediatamente.”

Ali se põe o braço dela para for a da janela, enquanto o pato, o coelho e o lagarto estão do lado de lá. O pobre Bill que acaba sempre pagando o pato, tenta entrar pela chaminé, mas com um chute daqueles, Alice dá um fora nele. Mas onde é dentro e onde é fora? É do outro lado do lado de lá do lado que é lado dela…


Chapter 4: The rabbit sends a little bill

Inside of the white rabbit’s house, as a cuckoo clock, Alice drinks another magic botlle. Begins to grow and grow till she became completely squeezed in the house. Limit experience to lose her identity. Who is Alice? Many. She grew so much that there is no space in this page anymore.
The other side of the same situation. Outside we can see the white rabbit, Pat and Bill. But what is inside and outside in a paradoxical wonderland?



Capítulo 5: Conselhos de uma lagarta.

" 'Um lado a fará crescer e o outro lado a fará diminuir.' 'Um lado de quê? O outro lado de quê? pensou Alice. -'do cogumelo' disse a lagarta, como se Alice tivesse perguntado em voz alta. E logo depois sumiu de vista. "

Medindo aproximadamente 8 centímetros de altura, Alice encontrou uma lagarta sentada sobre um cogumelo, fumando um narguilé. "Quem é você?" perguntou a lagarta e Alice não soube responder depois de ter se transformado tantas vezes naquele dia. Alice se espanta diante da lagarta enogmática, girando sobre um cogumelo amarelo que é uma labirinticabeça e psicodelícia terra das alicinações. Alice acaba comendo dois pedaços do cogumelo. Na primeira mordida sua cabeça vai parar nos pés, na segunda seu pescoço estica incrivelmente, se enroscando todo e sua cabeça vai parar em algum lugar que é nuvem, que é fumaça de narguilé, que é dentro da cabeça e que é lugar nenhum. now here or nowhere?


Chapter 5: Advice from a Caterpillar

“Who are you” is always asking the Caterpillar. Psychedelic experience that put Alice’s identity in doubtful, asking her to open her mind. This artificial Alice doesn’t even seems to know who she is. But she is not the only without a doubtful personality. Who is Alice, who is the caterpillar, who are we?

After the first bite Alice’s head strikes her feet. After the second, her neck stretches as a serpent. Fist to the floor, next to the clouds.

The pigeon and Aliserpent face each other in a psychedelic place, cloud, smoke, into the head. Now here or nowhere?



Capítulo VI: Porco e Pimenta

“Durante um ou dois minutos ficou diante da casa, perguntando-se sobre o que devia fazer, quando de repente surgiu um lacaio correndo de dentro do bosque (ela o considerou um lacaio porque estava de libré, mas a julgar pela cara diria apenas que era um peixe), o qual bateu ruidosamente à porta. Esta foi aberta por um outro lacaio de libré, com uma cara arredondada e grandes olhos de rã. Os dois Lacaios tinham cabeleiras empoadas e encaracoladas. Alice ficou curiosíssima de saber oque se passava e esgueirou-se furtivamente do bosque para escutar.”


Alice estava ali na porta da Duquesa porca, quando lá do bosque saiu o Loucaio nessa eu não caio. Trazia uma carta da Rainha para a Duquesa. Enquanto os dois Loucaios se inclinavam em tom solene, suas perucas se enroscavam e se embaralhavam. Um era um peixe for a d’água, boca de jarra jorrando palavras. O outro, alô! Aloucaio da Duquesa? Línguas cruzadas. Telefone sem fio que deu o fora no gancho! Alô! Alô Ali… Ali se… nada!


Chapter 6: Pig and Pepper

The Frog-Footman receives the Duchess invitation from the Fish-Footman. Then they both bowed low, and their curls interlaced.



No tabuleiro cheiro de fumaça e muita pimenta, a Colher grita e mexe a sopa e a Pata espirra e torce o porco e o porco chora e torce o rabo. Alice Riddle é a cara dela no meu corpo que puxo o porco. A cara de pau joga xadrez com a cara de pata e atira e disputa e desempata e pá nela!

O gato num canto sorri esperando um rato, com olhos de armadilha e queijo. Como os queijos de Chershire, em forma de gato sorrindo. Então o gato quer comer o rato que come o queijo em forma de gato, que fica num canto rindo de tudo.
Alice não quer só comida, Ali se quer bebida, diversão e arte. Alice não quer só comida, Ali se quer saída para qualquer parte.


In a large kitchen with too much smoke and pepper in the air, are the peppering cook, the Duchess distorting the baby and the Cheshire cat in a corner.
The cat smiles looking for a rat to eat it’s cheese and to be eaten. Eyes of a mouse-trap with cheese, in reference to the cheese in Chershire, with the shape of a smiling cat.



“Alice estava começando a pensar “E agora? Que é que eu vou fazer com essa criatura quando eu voltar para casa?”, quando o bebê grunhiu outra vez e com tal violência que ela olhou assustada para a sua cara. Dessa vez não podia haver engano possível: era nada mais nada menos que um porco, ela viu que seria totalmente absurdo continuar a carregá-lo. Soltou a pequena criatura no chão e ficou aliviada de vê-la correr tranqüilamente para dentro do bosque. “Se tivesse crescido mais” – disse ela a si mesma – “ficaria uma criança horrivelmente feia. Mas como porquinho é até bonito, eu acho.”

Alice até que tentou salvar o bebê mas já era tarde demais. Sabe qual é a diferença entre um menino e um porco?

– Acho que é só arrancar os braços e as pernas do seu corpo para que ele não espereneie tanto e então vire um porco. Tanta porcaria assim você sabe porque?

– Lewis Carroll dizia adorar as crianças.
Exceto os meninos!


The baby turning into a pig.



Alice vê o gato ali em cima daquela árvore. Ele some e aparece tantas vezes que ali se vai se dividindo entre torturas e tonturas, quantas loucuras e tantas alicinações. Matematicamante, o sorriso sem gato é a labirinticamente onde Alice vai se procurar…

"Gostaria que você não aparecesse ou sumisse tão de repente. Deixa qualquer um tonto. – Está bem – concordou o Gato. – E dessa vez desapareceu tão devagarinho, começando com a ponta da caulda e terminando com o sorriso, que ainda ficou suspenso no ar algum tempo depois que o corpo tinha desaparecido. “Esta aí” – pensou Alice – “já vi muitos gatos sem sorriso. Mas sorriso sem gato! É a coisa mais curiosa que eu já vi na minha vida.”


Alice talks to the Cheshire Cat seated on a bough of tree. After the Cat has completely vanished, the grin without the cat remains as a big puzzle. The mad cat's grin is the enigmatic labyrinth where Alice will look for her way.



C apítulo 7: Um chá bastante louco.

Um Chapeleiro Louco, uma Lembre de Mim e um Dormindengoso rodam todos em volta da mesma, tabuleiro de um jogo sem fim. O chá do chá+pe+Lelebre que sabe jogar xadrez mas que joga chá a três. Três caras mais pra coroas, sempre pulando de lá pra cá, mas sem tempo pra sair do chá. Que estória sem pé nem chá-a-beça!
Alice realidade com sete anos de idade também toma parte no jogo fotografada por Lewis Carroll.
“– Seja como for, jamais voltarei àquele lugar! – ela declarou, enquanto abria caminho através do bosque. – Foi o chá mais idiota que já tomei parte em toda minha vida!”


Chapter 7: A mad tea-party

The Mad Hatter, the March Hare and the Dormouse turn round the table, the board of an endless game. They’re their own cups, tied in the tea’s time. A melting clock whithout hands is always at six o’clock. Six and nine are the same thing?
The Alice is Alice Lidell photographed by Lewis Carroll.



Capítulo 8: O campo de croquet da Rainha.

“– Como é o seu nome, jovem? – Meu nome é Alice, para servir à Vossa Majestade – disse Alice com polidez; mas acrescentou para si mesma: “Ora, eles são apenas um baralho de cartas, no fim das contas. Não preciso ter medo deles!” – E quem são esses aí? Indagou a Rainha, apontando para os três jardineiros, prostrados em volta da roseira. Pois deitados como estavam de rosto contra o chão e sendo o desenho das costas o esmo do resto do baralho, ela não podia saber se eram jardineiros, soldados, cortesãos ou até mesmo três dos infantes reais. – Como é que eu vou saber? – respondeu Alice surpreendida com a sua própria coragem – Isso não é da minha conta.”

No final das contas Alice conseguiu atravessar a pequena portinha que dava para o jardim das delícias, quando então ela descobriu que aquele era na verdade o jardim da Rainha de Copas! Inverso da carta. Carta que corta. Dama na corte. Alice desafia a Dama de Copas, num embate entre a Rosa branca e o Cale-se de sangue. Cálice agora ou então corto-lhe a cabeça!

Chapter 8: The Queen’s Croquet-Ground

After arriving in the mysterious garden, Alice discovers that the garden belong to the Queen of hearts. The garden is the other side of the cards, surface plane, reverse and inverse. Drops of blood and white ink. Dialogue between Alice white rose and the Queen of bloody roses.


O Rei de Copas e o Carrasco da côrte quebravam a cabeça num embate sem solução. Como cortar a cabeça do Gato?

O posição do Carrasco era de que:

“não se podia cortar uma cabeça que não estivesse presa num corpo.”

O ponto de vista do Rei era de que:

“Qualquer um que tivesse uma cabeça poderia ser decapitado.”


A Rainha de Copas veio então resolver essa questão. O ponto de vista da Rainha era de que: “se não resolvessem já aquela situação, ela mandaria executar todo mundo em volta.”

Alice que não achou melhor solução para a situação, acabou sugerindo que fossem perguntar à Duquesa, que afinal era parente do Gato. Mas que dor de cabeça!

Discussion about the possibility to behead the Cheshire cat. You can see the executioner, the King and the Queen, and Alice watching the scene. Paradoxical question, nonsense.

The executioner's argument was that “you couldn’t cut off a head unless there was a body tu cut it off from.”

The King’s argument was that “anything that had a head could be beheaded.”

The Queen’s argument was that, “if something wasn’t done about it in less than no time, she’d have everybody executed, all round.”



Capítulo 9: A história da falsa tartaruga

Alice e o Grifo sentam-se à beira mar para ouvir a trististória da falsaruga. Seu casco debruça-se sobre o precipício, enquanto sua cabeça escorre do prato vazio sobre um imenso mar de lágrimas.

Grifo de Tenniel. Animal fabuloso com o corpo de leão, a cabeça e as asas de águia e as orelhas de cavalo.

Alice e a paisagem fazem parte de um quadro pintado por Anne Lydia Bond em 1873, representando Beatrice à beira mar, criado a partir de uma foto tirada por Lewis Carroll.

A falsa tartaruga era uma referência a uma prato muito conhecido na Inglaterra vitoriana, uma sopa de tartaruga verde que era muitas vezes feita com carne de vitela. Em função disso, a falsa tartaruga aparece nas ilustrações originais de Alice com a cabeça, as patas e a cauda de bezerro. Essa falsa tartaruga tem o casco de prato vazio de sopa e a cabeça de colher partida.


Chapter 9: The Mock turtle’s story

Alice and the Gryphon are sit listening the mock turtle’s story. The turtle’s skull that is a plate of soup, stoops over a precipice, and it’s head, a spoon in the shape of the calf’s hoofs, comes down as a tear to a sea of tears, or soup.
The Gryphon is the Tenniel’s. Alice and the landscape are part of a picture painted in 1873 by Anne Lydia Bond, depicting Beatrice on the sea bank, created inspired on a photography by Lewis Carroll.



Capítulo 10: A Quadrilha da Lagosta

Quadrilha da lagosta encenada pelo Grifo e pela Falsa Tartaruga. A quadrilha da lagosta era uma dança em várias “figuras” nas quais participavam vários animais marinhos. A lagosta está presente num bem servido prato, já que Alice cometeu tantas gafes confessando já ter ter dado garfadas em vários frutos do mar.


Chapter 10: The Lobster-Quadrille

The Lobster-Quadrille played by Tenniel’s Griphon and the Mock turtle. The Lobster-Quadrille was a dance in many figures played with different marine animals. The lobster according to Alice’s imagination a well prepared meal. But as there weren’t any lobsters with them, I thought of putting some crabs instead.
Think for yourself. This is just a clue.



Capítulo 11: Quem roubou as tortas?

O Rei é o o Juiz sem juízo nem lei. A Rainha corta reto por linhas tortas. O coelho lá do alto é o arauto da côrte.

Já o Jack é o réu; enquanto o Jocker perde o riso mas não tira o chapéu. Valete valente e chapeleiro demente.

Já, já virá o depoimento de Alice Murdoch, fotografada por Lewis Carroll.

“Que os jurados deliberem o seu veredicto – disse o Rei, mais ou menos pela vigésima vez naquele dia. – Não, não! – gritou a Rainha. – Primeiro a sentença, o veredicto depois.”


Chapter 11: Who stole the tarts?

The court waits for Alice’s evidence. The King is the judge without opinions and the Queen, the executioner without reasons. The Joker, not smiling, can be seen as the mad hatter’s testimony and replace all the cards of the pack.

Alice is Alice Murdoch, in a Lewis Carroll’s photography.



Capítulo 12: O depoimento de Alice.

“Vocês não passam de um baralho de cartas!” – Ao dizer essas palavras, todo o jogo de cartas voou para cima de Alice e depois desceu em sua direção: ela deu um gritinho, meio de susto e meio de raiva, e tentou rebater a revoada de cartas...”

E quando todos em volta voltam a ser apenas cartas de baralho e se revoltam para cima de Alice, as peças desse quebra-cabeça formam ao seu redor um redemoinho, trazendo Alice de volta para sua antiga realidade. Mas será que Alice ainda será a mesma de antes?


Chapter 12: Alice’s evidence.

The cards returns to be just cards of the pack, then rose up into the air, and came down flying upon Alice; while the peaces of this big puzzles turn around , bringing Alice back to her day-by-day reality.



Acordalice do seu sonho maravilhoso. No futuro se vê já transformada em uma mulher, que relembra o sonho, para que nos lembremos do poema do início da estória.

“Alice! Recebe essa estória
E com mãos gentis deposita
Lá longe, onde os sonhos da infância
Se confundem com lembranças idas,
Tal guirlanda de flores murchas
Em distantes terras colhidas.”


A mão de Alice sobre a sua infância não é a mão gentil invocada no poema, mas uma mão que perdeu a inocência. As meninas são pinturas sobre duas fotografias de Evelyn Hatch tiradas por Lewis Carroll. Elas expressam a visão de uma infância pura e inocente, ou revelam um inegável caráter erótico? A Alice mulher é a própria Alice Liddell, numa fotografia de Júlia Margaret Cameron.

Alice woke up from her wonderful dream, and found herself lying on the bank.
She looks to her future as a woman, that put her hand over her childhood, not the gentle hands that Carroll asks for, but a hand that covers her body in of chastity gesture.
The two Alices are pictures over photographs by Lewis Carrol of Evelyn Hatch. They were initially seen as a representation of purity and innocence even though erotic aspects have been pointed out lately. The Alice woman is Alice Liddell in a photograph of Julia Margareth Cameron.

02/04/2009

Alice



Através do Espelho e o que Alice encontrou lá | Through the Looking-Glass, and What Alice Found There

Personagens | Characters


Alice Peão Branco

“É uma grande partida de xadrez está sendo jogada no mundo inteiro... se é que isso é o mundo. Oh, mais que coisa engraçada é isso tudo. Como eu gostaria de ser um deles! Não me importaria de ser apenas um peão, contanto que pudesse... embora, é claro, eu preferisse ser uma Rainha.” (capítulo II – O jardim das flores vivas)

Pisca, pisca pequena Alice. Seja um peão a Rainha disse!
Do outro lado do espelho Alice encontra um grande tabuleiro de xadrez. Com a permissão da Rainha Vermelha ela também entra no jogo como um Peão Branco. O lance é que agora Alice não é mais uma menina, mas uma peça do xadrez, dando início à sua trajetória no universo do inverso do espelho.


White-pawn Alice

Alice is the ultimate white pawn locked in her trajectory in the mirror board.


Rainha Alice

– “Ah, como é bom ter chegado aqui! Que é isso na minha cabeça?” perguntou-se aflita, erguendo as mãos para segurar algo muito pesado que lhe cingia estreitamente a cabeça. “Como é que isso pôde vir parar aqui sem eu saber?” murmurou, enquanto levantava o objeto e colocava-o no colo para saber do que se tratava." (capítulo IX – Rainha Alice)

Alice entrou no jogo como um Peão Branco. Atravessando as páginas do livro uma casa de cada vez, entre jogos de espelhos e de palavras ela chega à oitava casa, onde é coroada Rainha.


Queen Alice

At the end of the Game Alice becomes queen.




As Flores do Espelho

"– Na minha opinião, você nunca pensa em nada – disse a Rosa em tom quase irrritado. – Nunca vi ninguém que parecesse mais burra – disse uma Violeta, tão de repente que Alice deu um pulo, pois ela ainda não tinha falado nada." (capítulo II – O jardim das flores vivas)

Saindo da casa do espelho, Alice encontrou um jardim de flores falantes, tagarelas e implicantes.
– cÁlice agora ou então corto-lhe a cabeça!


Live Flowers

A garden of headless and brainless Barbies. Vanity. Artificiality.
Where do you think they put the heads off?


A Rainha Vermelha

"– Corre! Corre! – a Rainha gritava para Alice – Mais depressa! Mais depressa! – E iam tão velozes que finalmente pareciam deslizar pelos ares, quase sem tocar o solo com os pés..."

Suas pernas invertidas deslizam pelos ares, sem tocar o chão. O seu corpo ao contrário expressa o paradoxo proposto logo em seguida, quando diante do susto de Alice ao perceber que depois de toda aquela correria elas continuavam no mesmo lugar, a Rainha argumenta que no país do espelho,"tem que se correr o mais depressa que se puder, quando se quer ficar no mesmo lugar." (capítulo II – O jardim das flores vivas)

Red Queen

The Red Queen is as castrating and authoritarian as the Queen of Hearts.
Notice the corporal inversion: her inverted legs connect themselves to the head, never touching the ground. It’s the physical reference to the most important paradox expressed by the Red Queen, when she says that through the looking glass, you must run as fast as you can to stay at the same place.


O Rei Vermelho

"– Ele etá sonhando agora – disse Tweedledee. – E com que é que você pensa que ele está sonhando?" (capítulo IV – Twedleedee e Tweedledum)

O Rei Vermelho não é só vermelho. Ele é todas as cores do jogo por que sonha que sonha o jogo.
Ali se pergunta: espelho, espelho meu, sonhaRei? Ou quem sonha é o Rei? Enigmáscara Real.

"E agora vejamos: quem foi que sonhou tudo isso? (…) Veja bem, deve ter sido ou eu ou o Rei Vermelho. Ele fazia parte do meu sonho, é claro… mas eu também fazia parte do seu sonho! (…) E você, quem é que você acha que sonhou?" (capítulo XII – Quem sonhou isso?)


Red King

The Red King is not only red. He also has all the colors of the game because he is the one who dreams the game in a complex and paradoxical way. Expressionless mask, the Red King dreams the chess-board dreams. As an authentic mask of Venice’s carnival, the Red King is just one object with a strong simbolism to potentialize his enigmatic force.


A Rainha Branca

Quando encontrou a Rainha Branca toda desmazelada Alice logo pensou que tudo estava fora do lugar. Como no espelho é tudo invertido, sua coroa é o seu corpo ao contrário, expressão de quem vive para trás. Dessa forma, argumenta a Rainha, a memória passa a funcionar nos dois sentidos, por isso ela grita bem antes de picar o dedo. Em seguida a Rainha conta para Alice sobre os seus exercícios diários para acreditar em coisas impossíveis. De baixo da fantasia fica o teatro da imaginação da Rainha.

– "Não estou entendendo nada – disse Alice. – Está horrivelmente confusa. – É o resultado de se viver para trás – disse a Rainha com benevolência. – Sempre confunde um pouco à princípio…– Viver para trás! – Repetiu Alice ocom assombro. Nunca ouvi falar disso antes! – … mas há uma grande vantagem nisso, pois a memória pode funcionar nos dois sentidos. – Quanto à minha memória, só funciona num sentido – observou Alice. – Só posso me lembrar de coisas que aconteceram antes. – É uma pobre espécie de memória essa, que só funciona para trás – observou a Rainha. – E a senhora, de que tipo de coisas se lembra? – arriscou-se Alice a perguntar."(capítulo V – Lã e Água)


White Queen

When Alice met the White Queen she was so untidy, that everything seemed out of place.
Action and memory are represented in the double mirror-like inversions of
head/body = crown/memory/action.


O Rei Branco

"A confusão ficava cada vez pior, e Alice suspirou aliviada ao entrar numa clareira, onde encontrou o Rei Branco sentado no chão, muito ocupado em anotar coisas em sua agenda. – Mandei todos! – gritou o Rei, visivelmente deleitado, ao avistar Alice. – Por acaso encontrou-se com soldados, minha querida, ao atravessar o bosque? – Sim, encontrei – respondeu. – Alguns milhares, eu acho. – Quatro mil duzentos e sete é a conta exata – disse o Rei, olhando para o caderno de notas. – Eu não podia mandar todos os cavalos, você sabe, por que dois deles ainda estão participando do jogo." (capítulo VII – O leão e o unicórnio)

Dado um leque de solições possíveis, considere o sentido e o duplo sentido: o Rei Branco anota tudo o que acontece no jogo. Dados calculados a cada caso ou dados jogados ao acaso? Duplo valor da palavra.
Um mensageiro para ir e outro para voltar como imagens refletidas no espelho: duplo sentido das cartas, recebidas nos dois sentidos. Cartas espelhadas, espelhadas no Rei de cartas. Palavras cruzadas e múltiplos signifidados.


White King

In both Alice books, the Queens are powerfull and assertive while the Kings are mostly meek and week. Without dwelling further into the psychoanalitical readings regarding this role inversion, our Kings are more discret and fragile, with no faces nor pomps.
Dice and data use the same word in portuguese: dados; card and letter also: carta. Making notes of data, receiving and sending messages in two ways.Is there a chance in this chess of the mirror?


Hagar, o mensageiro do Rei

Mais uma colher de chá para você: os mensageiros do Rei, Hagar e Hatta, são a Lebre de Março (March Hare) e o Chapeleiro Louco (Mad Hatter) do País das Maravilhas. Isso se comprova por uma série de referências cruzadas entre as duas obras, com pelas proximidades entre as pronúncias de Hagar e Hatta e Hare e Hatter. Só que do outro lado do espelho, tudo se inverte.
Na hora H chega em marcha Hagar, o mensageiro do Rei, que não é ninguém menos que a Lebre de Março, de cabeça pra cima. Ele veste-se com uma luva, que lhe cai como uma luva.


Haigha, the Messenger

The messenger of the White King, Haigha and Hatta, are the Hatter and the March Hare in the Wonderland. But on the other side of the looking glass everything is inverted. The spoon points to this correspondence. Therefore March Hare is the Messenger with its head turned down, its main logical characteristic.


O Mosquito

– "Que espécie de insetos lhe dão mais prazer, lá no lugar de onde você veio? – indagou o Mosquito. – Os insetos lá não me dão prazer, na verdade – explicou Alice – por que tenho medo deles, pelo menos dos maiores. Mas posso lhe dar o nome de alguns. – Naturalmente eles atendem pelo nome – observou distraidamente o Mosquito. – Nunca ouvi dizer que fizessem isso. – E de que serve, então, eles terem nomes, se não atendem por esses nomes?"(capítulo III – Insetos do Espelho)

Antes de atravessar o bosque onde as coisas não têm nome, Alice encontra um Mosquito de fato muito grande. Eles então conversam sobre as funções da linguagem e brincam com a relação entre os nomes e as coisas, as palavras e os seus significados.
– Muito prazer, sou o Mosquitóculos dos nomes achados e perdidos, sejam eles certos ou insetos.


The Gnat

Alice mets a very large Gnat. They talk about the logic of the names and their purposes; then the Gnat tells Alice about the wood where things have no names.
A Gnat that plays with the logic of the names and their purposes.


Jabberwocky

O Jabberwocky é um monstro maravilhoso e também uma palavra-valise, que contem dois significados embrulhados numa palavra só: wocer significa fruto e jabber exprime uma discussão tagarela. Esse Jabberwocky é um monstro do espelho, mas é também uma peça do jogo de objetos e de sentidos. Monstro devorador ele foi feito de um moedor de carne, garfos, garras e cacos de vidro. Decifra-me ou te devoro!


Jabberwocky

Ravenous monster of the other side of the looking glass. It seems like an archetypical and fabulous monster, created with objects of devouring meat. Catchs of forks, body as a meat grinding machine as in children’s fears and nightmares.


Humpty Dumpty

"– Quando uso uma palavra – disse o Humpty Dumtpy em tom escarninho – ela significa exatamente aquilo que eu quero que ela signifique … nem mais nem menos. – A questão ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes. – A questão – replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso." (capítulo VI – Humpty Dumpty)

Humpty Dumpty no tabuleiro se sentou
Humpty Dumpty as leis do jogo controlou
Com o rei na barriga ele definiu o significado
Das palavras antes que acabasse todo quebrado.

Humpty Dumpty em um muro se sentou
Humpty Dumpty lá de cima despencou
Erguê-lo não podem os cavalos do Rei, nem
Mesmo todos os cavaleiros do Rei também.

"Humpty Dumpty sat on the wall
Humpty Dumpty had a great fall
All the king’s horses and all the king’s man
Couldn’t put Humpty together again."
(Nursery rhyme)


Humpty Dumpty

Humpty Dumpty sits on the wall, where he believes he is able to control the meaning of the words. In his position he becomes a master of the nonsense and manipulates the rules of the looking glass game. He is on the edge of the chess board surface, narrow enough to check mate his balance.


O Cavaleiro Branco

Os cavalos são as únicas peças do xadrez que não andam em linha reta, sempre se desviando para um lado ou para o outro. Talvez seja por isso que os cavaleiros do espelho caiam do cavalo o tempo todo, num jogo de inversões e tropeções, equilíbrio e desequilíbrio. Tal como esse Cavaleiro Branco que embora jure que tenha prática demais, cai o tempo todo do cavalo, revezando com a sua própria sombra, seu negativo.
Se o cavaleiro é café com leite, seu cavalo é uma máquina de moer café e assim o cavaleiro acaba todo moído. Essa agora fui eu mesma que inventei!

"Se esse mundo fosse só meu, tudo nele era diferente. Nada era o que é, por que tudo era o que não é e também tudo que é por sua vez não seria e o que não fosse seria, não é?" Alice na Disylândia


White Knight

Knights are the only pieces of the chess game that do not move on a linear course. Always turning, as a mirror-like inversion, the white knight is often falling off the horse. This white knight is a game of balanced and unbalanced conditions, taking turns with its own shadow, its negative.
The white knight’s saddle was loaded with bunches of carrots, fre-irons and the expression “many other thinghs” to estimulate our imagination. This phrase could contain a number of things (that he carries). A large etc represents all the possibilities.


Tweedledee e Tweedledum

"– Já sei em que é que você está pensando – disse Tweedledum, mas não é nada disso, de modo algum. – Contrariamente, continuou Tweedledee – se assim era, então poderia sê-lo; e se assimo fosse, então seria: mas como assim não é, então não será, é lógico." (capítulo IV – Twedleedee e Tweedledum)

Logicamente você está pensando que Tweedledee e Tweedledum são dois irmãos gêmeos que moram do outro lado do espelho, mas não é nada disso, de modo algum. Eles não são gêmeos no senso comum. Enantiomorfos, um é o inverso do do outro, reflexo no espelho.
Par de sapatos, eles andam sempre juntos. Par de luvas, se cumprimentam sem parar e vivem de mãos dadas. Só que Dee, ou Dum, é vermelho e Dum, ou Dee, branco. como no tabuleiro. Pés descompassados, mãos que apontam em direções opostas, sempre se contrariando. E quando você pensa que não, muito pelo contrário.


Twedleedee and Twedleedum

Twedleedee and Twedleedum aren’t common sense twins, they are actually looking glass reflections. A symetrical relation, each one pointing to an opposite direction. Gloves and shoes were to Alice a close example of objects that exists only in couples, with one as the mirror reflection of the other.

28/03/2009

Alice

ATRAVÉS DO ESPELHO E O QUE ALICE ENCONTROU LÁ... | THROUGH THE LOOKING GLASS, AND WHAT ALICE FOUND THERE

Ilustrações | Illustrations


Capítulo 1: A casa do espelho.

"Pode-se ver uma portinha do corredor da Casa do Espelho, se deixarmos bem aberta a nossa sala de visita: e é igualzinho ao nosso corredor até onde se vê, só que mais adiante, você sabe, pode ser completamente diferente. Oh, Kitty, que bom seria atravessar para dentro da Casa do Espelho!"

A Casa da Alice e a Casa do Espelho se refletem e se desencaixam como quebra cabeças. Fazem parte do jogo as ilustrações originais da história, além de peças de xadrez e das três gatinhas de Alice, Kitty, Dinah e Flocos de Neve. Dois selos, um da Rainha Vitória e outro da Rainha Elizabeth, trocam correpondências entre diferentes épocas e contextos históricos.


Chapter 1: Looking-glass house

The Alice’s house and the Looking glass one, are a reflected puzzles.



Através do espelho. Eis o grande paradoxo.
Mas se ali se atravessa, o que atravesserá que acontece com a sua própria imagem antes refletida? Através do espelho Alice continua a mesma menina ou vira reflexo de si mesma? Ali se transforma numa ecilA também invertida, ou ela mantém o seu Norte em um mundo todo ao contrário? Atravessando o espelho em todos os sentidos, Ali se atravessa nos entremeios de si mesma imagem, da qual é também reflexo.


Crossing the looking glass is probably the most enigmatic development on the book. What is at last the other side of the mirror? What happens with the reflected image of Alice during the crossing?



Jabberwocky

Jogo entre o monstro e seus inversos.
Em bate, em corpo, em verso.

Jaguadarte*

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do homundo
Na árvore tamtam ele afinal
Parou um dia sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrefliflando através da floresta,
E burbulia um riso louco! (…)"

* Tradução de Haroldo de Campos.


Looking-glass monster and it’s reflexions.

“And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came.”




Mostra a morte do monstro, que atravessa os seus inversos com os versos do poema.
Vai vem, vem vai, pra trás, pra diante! E ei-lo que volta todo prosa!

(...) “Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, pra trás, pra diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

‘Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, hominino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!’
Ele se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas
E os momirratos davam grilvos."


The monster’s death or the performing of the big homicide.
Knocked from every side, the Jabberwocky dies dissolved in it’s own reflection.

“One, two! One, two! And throygh and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead,and with its head
He went galumphing back”




Capítulo 2: O jardim das flores vivas.

"– Ó lírio-tigrino – disse Alice dirigindo-se a um lírio que ondulava graciosamente ao vento – só queria que você pudesse falar! – Nós podemos falar – disse o lírio – quando tem alguém com quem valha a pena falar. (…) E todas as flores podem falar? – Tanto quanto você – disse o lírio-tigrino. – E bem mais alto. – Não seria educado de nossa parte começar, você sabe – disse a Rosa – e na verdade eu já estava me perguntando se você ia ou não falar! E disse para mim mesma: sua cara mostra que ela é algo racional, embora não pareça muito inteligente. Seja como for, sua cor está bem, e isso já é alguma coisa."

Alice tentava a todo custo sair da casa do Espelho, mas seus caminhos se embaralhavam e ela acabava voltando sempre na direção contrária. Ela já estava irritada com tantas idas e vindas, aindas e vidas, quando chegou ao jardim da flores vivas. Sempre viva, cAlice começou curiosa a conversar com as tais, florais de Barbie arrogantes e artificiais, que criticavam cAlice o tempo todo, acreditando que ela também fosse uma flor.
Seja como flor, cálice já!!
!

Chapter 2: The garden of Live Flowers

Rose, Daisie, Violet and Tiger-lily, in calices of glass, composing the geometrical garden, in a game of looking glass reflections.



Quando encontrou a Rainha Vermelha, Alice também entrou no jogo. Logo em seguida as duas partiram em disparada, que dizer, em movimento alicinado. Mais depressa! Mais depressa! Terminado o lance, exausta e perplexa, Alice percebeu que elas ainda estavam no mesmo lugar. A Rainha então diz parada que no outro lado do espelho,

"Tem que se correr o mais depressa que se puder, quando se que ficar no mesmo lugar. Se você quiser ir a um lugar diferente, tem de correr pelo menos duas vezes mais rápido."


“Now, here, you see, it takes all the running you can do, to keep in the same place. If you want to get somewhere else, you must run at least twice as fast as that.”


Capítulo 3: Insetos do Espelho.

Alice ultrapassa de trem a terceira casa do tabuleiro. Entrem logo no trem! Será que ainda tem vaga nesse vagão? Junto com Alice estão um homem vestido de papel, um besouro e um bode. Um fiscal na janela observa diferentes Alices pelo microscópio, pelo binóculo e pelo telescópio. Tantas Alices, tantos espelhos e pontos de vista. Vejam só: A menina no vagão foi pintada por Millais em “My first sermon”.
Ser moon é a alualice em que Tenniel se espelhou.
O locomotivo e as correspondências: Menina, você devia ser mandada pelo correio! Mesmo que não gostasse de sê-lo.

"– Ela devia ser rotulada: “Menina. Cuidado: frágil.” A seguir, outras vozes prosseguiram (“Quanta gente dentro desse vagão!” pensou Alice), dizendo: – Devia ir pelo correio, pois seu vestido está cheio de estampas … – Devia ser enviada como mensagem pelo telégrafo … – Devia rebocar o trem o resto da viagem … – E assim por diante."


Chapter 3: Looking Glass Insects

Alice crosses by railway the third square of the board. One man dresses in paper, one beetle and one goat are sitting close to her. Carroll's aunt is playing the guard, who observes Alice through many optical instruments, in different points of view. The girl in the railway: My first sermon of Millais. "Less with care". Head was a slang to stamp. "She must go by post, as she's got a head on her."



Sentado no galho de uma árvore estava o Mosquitóculos semiótico. Ele aponta para Alice nesta floresta onde as coisa não têm nomes.
Ali se ia … Ali sei lá … Alice lá ia …

"– Mas o que vai ser do meu nome quando eu entrar?"


Alice found a very large Gnat sitting on a branch. He explains to Alice about the wood where things have no names."I wonder what'll become of my name when I go in?"



Capítulo 4: Tweedledum e Tweedledee

"Quando Alice foi cumprimentar os dois irmãos Twedledee e Twedleedum, não podia apertar a mão de nenhum dos dois em primeiro lugar, por temor de ferir a susceptibilidade do outro. Assim, resolveu a questão apertando a mão de ambos ao mesmo tempo: logo de imediato começaram a dançar em círculos."

Tweedledee e Tweedledum no tabuleiro de tweed são movimentados. Hora de mãos dadas, hora de laços desatados, Dee e Dum para a luta são preparados. Se Alice não der uma mão, os dois darão logo no pé. Quando diz que Dee faz que Dum. Quando diz que Dum faz que Dee. Se eu fosse como Dum, tirava a mão do bolso e botava a mão Ali… Se eu fosse como Dee…


Chapter 4: Twedleedum and Twedleedee

Alice, Dee and Dum are dancing arround the square. This is the paradox: how can a hand gives it’s hand to shake the hand of another hand?
Given hands or pointing to the opposite directions, gloves. Always walking together, steps to dance, shoes.



"– Ele etá sonhando agora – disse Tweedledee. – E com que é que você pensa que ele está sonhando? – ninguém pode adivinhar uma coisa dessas – observou Alice. – Ora, ora é com você! – exclamou Tweedledee, batendo palmas triunfantemente. – E se ele deixasse de sonhar com você, onde é que você acha que estaria? – Aqui no mesmo lugar, é claro – disse Alice. – Nada disso! – replicou Tweedledee com desdém. – Você não estaria em lugar nenhum. – Pois você é apenas uma espécie de imagem no sonho dele! – Se o Rei acordasse – acrescentou Twedleedum – você se apagaria – puff! – como a chama de uma vela!"

Alice assiste o Rei Vermelho sonhando com ela. Mas se ela faz parte do sonho, também faz parte do sonho o Rei sonhando com ela. Então o Rei sonha com Alice que assiste o Rei que sonha com ela assistindo o Rei sonhando com ela ... e assim por diante. Série infinita do sonho dentro do sonho. E se mais adiante o Rei Vermelho acordar será que isso ainda fará parte do sonho? Quem vivermelho verá …


Alice looks to the King dreaming with her looking to the king dreaming with her looking to him... The first paradox of a dream in another dream, in an infinite regress...



Capítulo 5: Lã e Água

Com os braços abertos como se estivesso voando, passou a Rainha Branca correndo alicinadamente. Seus braços são os ponteiros de um relógio impossível, com o tempo voando ao contrário. Debaixo da fantasia, de tempos em tempos são representados os exercícios da imaginação da Rainha, que vai se tranformar na ovelha da loja misteriosa e diz ter apenas 101 anos de idade. Mas quem é que pode acreditar nisso?

"– Não posso acreditar nisso! – disse Alice. – Não pode? – disse a Rainha Branca com tom de voz penalizado. – Tente outra vez: respire profundamente e feche os olhos. Alice riu. – Não adianta fazer isso – disse ela – ninguém pode acreditar em coisas impossíveis. – Eu diria que você nunca praticou bastante – disse a Rainha. – Quando eu tinha a sua idade praticava sempre meia hora por dia. Às vezes me acontecia acreditar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã."


Chapter 5: Wool and Water

The White Queen came ruuning with both arms stretched out wide, as if she were flying arround Alice’s head. It’s arms are like hands of an inverted clock, an inverted Queen.
Under the Queen’s dress are staged her exercises of imagination. The first to say that she was 101 years old and after that to become a sheep owner of the mysterious shop. Can You believe?



Capítulo 6: Humpty Dumpty

Continuando a partida, Alice encontrou Humpty Dumpty com o Rei na barriga, encasquetado sobre um muro estreito. O muro era o tabuleiro do jogo, limite onde ele pensava estar acima de qualquer suspeita, sem suspeitar que estava prestes a despencar lá de cima, terminando partido. Tabuleiro de uma linguagem que segue a sua lei, mestre do nonsense. De qualquer forma ele oferecia um bom emprego para as palavras, que trabalhavam para ele. O ovo paga as palavras, mas será que Alice pega o sentido?


Chapter 6: Humpty Dumpty

Humpty Dumpty sits on the wall, boss of the nonsense game. The letters are on the wall waiting for their payment. H.D. admires a tree near him, word which is working very well. The tree is made by its letters: árvore in Portuguese.



Capítulo 7: O Leão e o Unicórnio.

"Ele só faz isso quando está com humor. Seu nome é Hagar.(...) - Eu amo meu amado com um H – Alice não resistiu a dizer – porque ele tem muito humor. Odeio-o com um H, por que é horrível. Eu o alimento com...com... Hamburger. Seu nome é Hagar ele mora num..."

Logo em seguida Alice encontra o Rei Branco contando os seus cavalos e soldados.
Com suas canetas de duplo sentido, o Rei anota todos os números: dados com duplo valor da palavra. Envia e recebe cartas com duplo valor da palavra.
Vem então chegando o mensageiro Hagar, se contorcendo todo e fazendo as caretas mais medonhas para o Rei sobre um tabuleiro de palavras cruzadas, que determina duplo valor para as letras e para as palavras. Jogos de palavras e de sentidos.


Chapter 7: The Lion and the Unicorn

Alice met the White King couting it’s soldiers and horses. As on the mirror all is inverted, the pieces as the Tenniel’s draw are in the negative.
From the left is coming the messenger Haigha. Like a game of words the messenger offers to the King foods beginning with H, as ham sandwiches or hay. Over a board of a crossing words game, wich indicates double value to letters and words, the messenger gives letters to the King.



"O Leão e o unicórnio se batem pela coroa.
E pela cidade toda levantam pó à toa.
Alguns lhes dão pão branco e outros lhes dão broa.
Mas o som dos tambores que os expulsa ecoa."


Essa canção infantil surgiu no início do século XVII, quando a união da Escócia e da Inglaterra deu origem ao atual brasão do Reino Unido, em que aparecem o unicórnio da Escócia e o leão da Inglaterra disputando a coroa.One Pound ou One Round?


"The Lion and the Unicorn were fighting for the crown ..." (nursery rhyme)

The Lion and the Unicorn support the royal arm, representing the union of Scotland as the Unicorn and England as the Lion.


Capítulo 8: “Fui eu mesmo que inventei”.

“Só queria saber que Regras de Combate são essas”, disse para si mesma, enquanto olhava a luta, arriscando-se timidamente a por a cabeça de fora do esconderijo. “Uma das regras parece ser que, se um cavaleiro atinge o outro, este deve cair do cavalo; e se ele errar o golpe, ele mesmo é que cai... e outra Regra parece ser a de que eles devem sustentar suas maças com os braços como se fossem marionetes. Que barulho fazem quando caem!” (...) Outra Regra de Combate, que Alice não tinha observado, parecia ser a de que eles caiam sempre de cabeça, e o combate terminou com ambos caindo desse modo, cada um do seu lado. Ao se levantarem, apertaram as mãos, e depois o cavaleiro vermelho montou, saindo a galope."

Duelo entre o Cavaleiro Vermelho e o Cavaleiro Branco, disputando a prisioneira Alice. Um confronto geometricamente calculado em que os dois cavaleiros caem do cavalo uma série de vezes alternadamente até caírem simultaneamente de cabeça para baixo.
O outro lado do espelho reflete dois ilustres cavalheiros: Lewis Carroll e John Tenniel, autor e ilustrador de Alice. Nesse capítulo, “Fui eu mesmo que inventei”, eles disputam a imagem do cavaleiro. No fim do duelo vence o Cavaleiro Branco, alter ego de Lewis Carroll, mas que Tenniel ilustrou à sua imagem e semelhança.

Chapter 8: “It’s my own invention”

The white knight and the red one fight for having Alice as a prisioner. A combat geometrically designed as a game of reflections and inversion. In the end of the combat both them fels upside down.
In the foreground are Lewis Carroll and John Tenniel, who had terrible discussions about Alice’s illustrations. The name of this chapter isn’t fortuity, they are discussing for Alice’s authorship.



"Ao cantar as últimas palavras da balada, o Cavaleiro pegou as rédeas e voltou o seu cavalo na direção de onde tinham vindo. – Você agora tem poucos metros a caminhar – disse – (...) E então será uma Rainha… Mas antes você vai ficar aí e ver a minha partida, não vai? – acrescentou, enquanto Alice se virava com olhar ávido na direção em que tinha apontado. – não demorarei. Você espera e acena com seu lenço quando eu virar naquela curva da estrada? Acho que isso me encorajará, entende? – Claro que espero – disse Alice. – E muito obrigada por me acompanhar em toda essa distância… e pela canção… gostei muito. – Espero que sim – disse o Cavaleiro cheio de dúvida – mas você não chorou tanto quanto eu esperava."

Quando chega no final do lance, o Cavaleiro Branco se despede de Alice. Um jogo de fantasmas e de inversões, de reflexões e de sentidos, etc.
Lewis Carroll de olhar melancólico, tenta segurar sua Alice criança, imortalizada em sua obra aos sete anos de idade, mas irreversivelmente se tornando uma mulher adulta na vida real, etc.
Fui eu mesma que inventei esse Cavaleiro sobre um cavalo com um elmo em forma de cavalo, que se debruça sobre o peito de Alice, formando o L do movimento do cavalo no tabuleiro do xadrez, formando o L de Lewis Carroll, with Love, etc.


The White Knight says good-bye to Alice who is going to become a Queen and Lewis Carroll says good-bye to Alice who is going to be a woman.
On the front the White Knight falls over Alice’s heart performing an “L” like the horse moviment in the chess board and the letter wich begins the name of Lewis Carroll, with Love, etc.



Capítulo 9: Rainha Alice

Alice atravessa o tabuleiro e chegando à oitava casa, se transforma em Rainha.
Jogo de espelhos e pontos de vista: Alice objeto de agora, ilustração da obra, pintura da vida.
Alice Liddell retratada por sua irmã, Violet. Coroada por Tenniel. Despedida de Carroll.
Queen Alice é: Alice Rainha, deixou de ser minha, tornou-se mulher.
Quem Alice é? Queen Alice. Uma Alice? Woman.


The white pown Alice reaches the eighth square and becomes a Queen. Game of mirror reflexions between art and life. Alice Liddell depicted by her sister Vilet and Tenniel’s Alice looking at mine.


"– Que é que se passa? – disse a Rã, numa voz grave e rouca. Alice voltou-se, pronta para queixar-se de todo mundo. – Onde está o criado que devia responder a porta? – ela começou. – Que porta? – disse a Rã. Alice quase bateu o pé no chão irritada com aquela vagarosidade. Esta porta, é claro! A Rã olhou para a porta com os seus grandes olhos embotados durante um minuto. Depois aproximou-se e esfregou-a com o polegar, como querendo saber se a pintura largava. Olhou então para Alice. – Responder à porta? – disse. – Que foi que ela perguntou?"

Bater na porta ou beijar o sapo? Beijar a porta ou bater no sapo?


When Alice decides to enter, one frog appears in the center. Knock on the door and kiss the frog or kiss the door and beat the frog?


Capítulo 10: Sacudidela e Capítulo 11: Despertando

No final do jogo Alice agarra a Rainha Vermelha com as mãos e então começa a sacudi-la violentamente. Pouco a pouco a Rainha se transforma na gatinha de Alice e ela vai acordando e atravessando novamente o espelho… Último lance na superfície do espelho, limite entre o sonho e a realidade.


Chapter 10: Shaking | Chapter 11: Waking

"She took her off the table as she spoke, and shook her back-wards and forwards with all her might. The red Queen made no resistance whatever; only her face grew very small (...) and still, as Alice went on shaking her, she kept on growing shorter ... and fatter ... and softer ... and rounder ... and ...
... and it really was a kitten after all."


The last movement of the game, crossing the boundaries between Dream and Reality.



Capítulo 12: Quem sonhou isso?

No final do livro Alice volta para casa, mas a dúvida permanece: Quem afinal estava sonhando? Grande interrogação, caracóis na cabeça. Será que Alice sonhava com o Rei sonhando com ela sonhando com o Rei? Ou será que muito pelo contrário? Em que sentido, em que sentido? Nos dois sentidos ao mesmo tempo. Pergunta que não quer resposta.


Chapter 12: Who dreamed it?

In the end of the book, on her own side of the looking glass, Alice thougth about who had dreamt all her adventures. Paradoxical question. Did Alice dream with the King dreaming with her dreaming with him? Or the opposite? Wich way? Probably both.

27/03/2009

Alice


Alicinações [1998]

Alice, entendida aqui como o caos-cosmos definido a partir das duas Alices de Lewis Carroll: Alice no país das Maravilhas (1865) e Através do espelho e o que Alice encontrou lá (1872), ainda é um grande enigma. Paradoxo, nonsense, jogo, labirinto. O País das Maravilhas e o País do Espelho não são espaços geográficos, construídos dentro de uma topografia linear e contínua, mas de quebra-cabeças, tabuleiros, espelhos, rupturas e deslocamentos. O universo se expande, se comprime e se inverte enquanto Alice perde e procura sua identidade, prestes também a perder a cabeça. Enquanto isso ela se move no terreno movediço da linguagem que se desmonta e revela suas armadilhas lógicas e semânticas.

Se o texto é assim, por que as suas ilustrações são em geral tão literais e unívocas? A proposta da pesquisa Alicinações foi portanto a de ilustrar novamente as duas Alices, operando uma nova relação entre texto e imagem, na busca de uma aproximação de Alice em sua maior complexidade. Tendo como referência a obra de Deleuze, Lógica do Sentido, a pesquisa desenvolveu-se em duas etapas: dos corpos em profundidade aos acontecimentos de superfície. Corpos em profundidade, os personagens das duas obras foram construídos através de montagens com objetos diversos, segundo seus atributos lógicos, nomes, significados incorporados pelo uso e características formais.

Na segunda etapa os personagens criados foram então fotografados e digitalizados, e os acontecimentos de superfície foram desenvolvidos através de computação gráfica. Buscou-se recriar através de imagens, a lógica e o sentido do texto, abrindo assim o leque de referências e possíveis leituras para os diálogos, personagens, situações e espaços imaginários propostos nas duas obras. As ilustrações foram elaboradas através de colagens a partir das fotografias dos personagens, entre outras tantas possibilidades. Também foram utilizadas as ilustrações originais de Tenniel, segundo novas relações de intertextualidade. Como um jogo multifacetado de espelhos, refletindo diferentes possibilidades de leitura da obra segundo diferentes contextos históricos e culturais.

Jogos de linguagem, paradoxos lógico - semânticos, enigmas, múltiplos significados. Como num grande jogo, o objetivo é desnudar relações imprevistas, desvendar lógicas implícitas, repropor enigmas e paradoxos.


IT'S MY OWN INVENTION

Alice, understood as the chaos-cosmos amalgamation of both Alice books, “Alice in Wonderland” and “Through the Looking - Glass” and what Alice found there, is still an amazing enigma; paradox, nonsense, game, labyrinth of dreams.

Wonderland and the other side of the looking glass are not geographical spaces with a linear and continuous topography but a sequence of puzzles, game boards, mirrors and labyrinths. The universe expands, contracts and gets inverted while Alice loses and looks for her identity. All of this with the gloomy threat of losing her head. Meanwhile, she moves throughout the sliperry terrain of language which falls apart revealing its own logic and semantic traps.

If the texts are so complex, why should their illustrations be so literal and unequivocal? Bearing this question in mind, the purpose of this research is to reillustrate both Alices, operating within a new relation between text and image, in search for a dialog betwen Alice and her complexities. The following illustrations are, at first, aimed at amateurs and Alice’s lovers and, more than that, at those who search for new puzzles to solve and new doors to open within the labyrinthic domains of language.

These are illustrations wich contain a personal, investigative, and open approach to the logical ans symbolic aspects of Alice’s books. An uncompromising approach to the physical aspects of the characters or to the situations of the narrative. For a more direct relation between the events of the story and their illustrations, there is, indeed, quite an extensive catalogue of choices for one to revel upon. Here we start from a process of discovery, image and expressive materials research. In addition, a theoretical and iconographic investigation is conducted in order to get closer to the texts, open doors, and persue through rooms and secret passages in the immense labyrinth that Alice is.

While falling through the deep well, her rite of passage between the routine of common sense and the reality reinvented through the language and logic of nonsense, Alice had enough time to look around and think about herself. Little by little, she bids goodbye to her form of loving, speaking, and also of relating to objects. And, as Alice’s fall toward the depths of the Earth proceeded, the meaning slowly crept toward the surface of the language.

Having Deleuse’s Logique du Sens as its guiding framework, the research was cunducted in two main levels: bodies in depth and surface developments.

Bodies in depth dealt with the physical construction of the characters of both Alices using a plethora of everyday objects and toys according to their logical attributes, their names and their meanings, both in its usage and its formal characteristic dimensions. After their construction, the characters were photographed and digitalized.

The surface development phase worked upon the events and scenes of the text using the digitalized images of the previous phase. Thus, it was recriated through digital manipulation of the images the logic and meaning of the text, allowing a fanning of possible readings and references for the dialogs, characters, situations and imaginary spaces proposed by Carroll in both Alices. The illustrations were developed in Photoshop as collages utilizing the pictures of the characters, other objects and a repertoire of images referring to the biographic context, among other possibilities. In addition, the original illustrations by Tenniel were also worked upon, following new relations of intertextuality - like a multifaceted game of mirrors, reflecting distinct possibilities of reading Alice in both historical and cultural contexts.

Puzzles of language, logic paradoxes, enigmatic dreams, multiple meanings. As in a wonderful maze, we aim to uncover unexpected relations and recreate nonsense rules to the games. Undo a puzzle of thousands peaces, to begin again and again.



Colagem sobre fotografia de Cindy Sherman.

06/01/2009

Alice


Tradução de As Aventuras de Alice no Subterrâneo.[2001]
Translation of Alices's Adventures Underground.












Tradução, tipografia e composição por Adriana Peliano. [2001]
Translation, typography and design by Adriana Peliano.

AS AVENTURAS DE ALICE NO SUBTERRÂNEO [1862]

Essa é uma tradução para o português do manuscrito original das Aventuras de Alice no Subterrâneo [1862] que originaram as inesquecíveis Aventuras de Alice no País das Maravilhas [1864]. Hoje é amplamente conhecido o fato de que esse “interminável conto de fadas” foi contado por Lewis Carroll durante longos passeios de barco com as irmãs Liddell, Alice, Edith e Lorina, nos arredores de Oxford onde eles viviam. Entretanto, o que poucas pessoas sabem é que ele deu para essa Alice real, um manuscrito ilustrado por ele mesmo no natal de 1862. Dedicado como “Um presente de Natal para uma criança querida em memória de um dia de verão”, este se tornou uma ligação essencial para os estudos de Alice. Conectando a vida e a arte, ele nos oferece também a chance de acompanhar o processo criativo do autor, além da possibilidade de compreender melhor como a versão final da estória foi influenciada pelo relacionamento de Charles Dodgson (verdadeiro nome de Lewis Carroll) [1832-1898] com Alice Liddell.

Durante aquele período Carroll começou a preparar uma nova versão das aventuras de Alice para ser publicada, seguindo o conselho de alguns amigos. Nesse processo a estória original foi estendida e também modificada em vários aspectos. Novos poemas, capítulos e personagens foram incluídos e um novo texto, mais complexo e sofisticado, foi publicado em Londres pela Macmillian, dois anos após aquela famosa “tarde dourada”. Alice no País das Maravilhas foi então ilustrada por um famoso ilustrador da época: John Tenniel [1820-1914]. Suas ilustrações se tornaram clássicas, consideradas por muitos como inseparáveis do livro, mesmo que esse tenha sido um dos livros mais ilustrados de todos os tempos, seguindo a sugestão de Alice no início da estória: “De que serve um livro sem figuras e nem diálogos?”

As ilustrações de Carroll e sua letra de mão foram preservadas nessa tradução. Eu pretendia com isso preservar o charme e as peculiaridades do original que seriam perdidos com uma tipografia e um design mais convencionais.Como membro da Sociedade de Lewis Carroll da Inglaterra, pesquisadora e colecionadora de Alice, acredito que esse possa ser um grande presente para o público brasileiro, em especial para os amantes de Alice. Essa é uma replica de um dos mais maravilhosos presentes que uma menina já recebeu em seu “desaniversário”, uma carta de amor escrita não apenas para aquela que foi um dia considerada “ o ideal de menininha” por Lewis Carroll, mas à todas as meninas e meninos do mundo. Intenso convite para o fascinante universo de Alice/Carroll, que num dia especial mergulhou num poço profundo.


ALICE'S ADVENTURES UNDERGROUND [1862]

It’s a Portuguese translation for the original manuscript of Alice’s Adventures Underground [1862] that originated Alice’s Adventures in Wonderland [1864]. It’s widely known that the first version of this “endless fairy tale” was told by Lewis Carroll during the long boat trips with the Liddell sisters Alice, Edith and Lorina in the surroundings of Oxford where all of the lived. However, what few people know is that he gave to this real Alice, one manuscript illustrated by himself in the Christmas of 1862. Dedicated as a “Christmas Gift to a Dear Child in Memory of a Summer Day”, it became on essential link to the Alice’s studies. Connecting art and life, it gives us at the same time, the chance to follow the author’s creative process and the possibility to understand better was the final book was actually influenced by the relationships between Charles Dodgson (Lewis Carroll’s real name) [1832-1898] and Alice Liddell.

During that time, Carroll was also preparing another version of Alice’s Adventures to be published, following the advices of some friends. In this process the original story was extended and also changed in many aspects. New poems, chapters and characters were added to it, and a new text, more complex and sophisticated, was published in London by Macmillian, two years after that “golden afternoon”. Alice in Wonderland was then illustrated by a famous illustrator of that time, who worked at the punch: John Tenniel [1820-1914]. His illustrations has became great classics, considered many times as inseparable of the book, following the Alice’s suggestion at the beginning of her adventures: “what’s the use of a book without pictures and conversations?”

Carroll’s drawings and handwriting were maintained in this translation. I intended with this option, to preserve the peculiar characteristics from the original that would be lost with mechanical typography and conventional design. As a member of the Lewis Carroll society, researcher and also a collector, I believe that this might be a great present to the Brazilian public, especially to the Alice lovers. It’s a replica of one of the most wonderful presents that a girl has ever received as an “Unbirthday” gift, one love letter written not just to the one once considered Carroll’s “ideal of a little girl”, but also to all the girls and boys of the world. It’s an intense invitation to one fascinating universe of Alice / Carroll that in on special day fell in a very deep whole.

Se quiser ver mais, favor entrar em contato.

04/01/2009

Alice no Brasil | Alice in Brazil


A presença de Alice na obra de Monteiro Lobato.
Alice's presence in the books of the Brazilian writer Monteiro Lobato.

Alice chegou ao Brasil pelas mãos do escritor Monteiro Lobato (1882 – 1948). Foi ele quem fez a primeira adaptação de Alice no País das Maravilhas em 1931 com ilustrações de A.L. Bowley e a de Alice no País do Espelho em 1933 com ilustrações de Tenniel. Mas a presença de Alice na obra de Lobato vai mais além, ela visita algumas de suas estórias e interage com os personagens num jogo intertextual de alcance inusitado.

Nas versões originais de Alice, observam-se traços culturais da Inglaterra vitoriana. Monteiro Lobato adapta, transforma e reambienta esses traços para se aproximarem da realidade brasileira de sua época, adequando o texto aos seus leitores. Na introdução de Alice no país das Maravilhas, Lobato afirma ser essa uma tradução dificílima. De fato, por serem línguas diferentes, com significados e significantes próprios, é raro existir uma correspondência ideal que mantenha o sentido do jogo de palavras original. Lobato opta por vezes a não traduzir os trocadilhos e jogos de linguagem de Carroll e substitui as paródias da obra de referência por paródias de textos nacionais reconhecíveis pelo público brasileiro. Ele insere elementos da cultura nacional ao apresentar Alice recitando poemas clássicos da literatura brasileira e ter amigas com os nomes Cléo e Zuleica. Tradutores posteriores adotaram estratégias distintas (ver WESTPHALEN, 2001).

A adaptação das estórias de Alice fazia parte de projeto literário mais amplo de Lobato, personalidade múltipla e complexa, considerado por muitos o autor de literatura infantil brasileiro mais importante de todos os tempos. Ao criticar a tendência da época de copiar as últimas modas parisienses na arte, música e literatura, ele traduziu inúmeras obras inglesas, alemãs e americanas como Peter Pan, irmãos Grimm, Robinson Crusoé, Tom Sawyer, Huckleberry Finn, Robin Hood e Viagens de Gulliver. Ao mesmo tempo, a aventura ímpar da leitura dos textos infantis de Lobato permitiu às crianças uma globalização cultural. Seus escritos funcionaram como o hipertexto de hoje, convidando os personagens de contos, fábulas e mitologias a visitarem suas estórias. A vasta obra infantil de Lobato foi mais tarde reunida numa coleção de 17 volumes.

Ele também incursionou pela literatura adulta e foi precursor de idéias interessantes no campo editorial. Foi o primeiro a tratar os livros como produtos de consumo com capas coloridas e atraentes e uma produção gráfica impecável. Inventou a indústria livreira no país e participou da fundação de editoras como a Companhia Editora Nacional e a Brasiliense, criando uma forma inédita de distribuição de livros pelo Brasil.

Com a publicação de Narizinho arrebitado em 1920, pode-se afirmar que é inaugurada a Literatura Infantil no Brasil e mesmo na América do Sul. Antes, encontravam-se coletâneas de contos de origem européia, de Alberto Pimentel, lançadas no final do século dezenove. Entre estas, Contos da Carochinha (1896), primeira obra de literatura infantil produzida no Brasil, a qual trazia textos portugueses e franceses, reunindo no primeiro volume contos de Perrault, Grimm e Andersen, fábulas, lendas e contos exemplares em tons moralizantes. Mas, desde um viés critico e metalingüístico, Dona Carochinha (uma baratinha contadora de estórias) num dos livros de Lobato alerta: “tenho notado que muitos dos personagens das minhas estórias já vivem aborrecidos de viverem toda vida presos dentro delas. Querem novidade. Falam em correr mundo a fim de se meterem em novas aventuras.” (LOBATO, 1956. p. 11)

Já nas primeiras décadas do século passado, severas críticas da intelectualidade brasileira à produção literária para crianças pediam reformas urgentes para que os livros fossem mais brasileiros e instigantes da inteligência infantil. Lobato promove, então, uma revolução na maneira de escrever para o universo infantil. Uma de suas mudanças é produzir textos com enfoque nesse público. Essa preocupação é tão grande que chega a trocar cartas e realizar encontros com as crianças, sendo muitas dessas reuniões realizadas na primeira biblioteca infantil de São Paulo, que hoje trás seu nome (Biblioteca Infantil Monteiro Lobato).

A obra Narizinho arrebitado seria mais tarde ampliada dando origem ao clássico Reinações de Narizinho (1931), onde estão reunidas as primeiras histórias do Sítio do Picapau Amarelo. A maioria dos livros infantis de Lobato se ambientava no Sítio do Picapau Amarelo, localizado no interior do Brasil, tendo como personagens a senhora da fazenda, Dona Benta, seus netos, Narizinho e Pedrinho, e a cozinheira, Tia Nastácia. A esses personagens foram integradas entidades criadas ou animadas pela imaginação das crianças na história: a boneca irreverente e debochada Emília, o aristocrático e livresco boneco de sabugo de milho Visconde de Sabugosa, a vaca Mocha, o burro Conselheiro, o porco Rabicó e o rinoceronte Quindim. As aventuras, no entanto, em sua maioria, se passam em outros lugares: num mundo de fantasia inventado pelas crianças ou em estórias contadas por Dona Benta no começo da noite.

O Sítio do Picapau Amarelo é obra fundamental da literatura brasileira publicada inicialmente em 1921 e reeditada em sua forma atual em 1934. Ela ultrapassa as intenções meramente moralistas ou pedagógicas, respeita a inteligência das crianças e valoriza o espírito crítico e independente da infância. “Aprender, para Lobato, é muito mais que reproduzir ou decorar, mas perguntar, duvidar, questionar, discordar, querer viajar, teimar em atravessar fronteiras“. (CABRAL, 2005, p.6).

O Sítio desperta a imaginação da criança e estimula o interesse pelo mundo, ao mesmo tempo em que revela uma busca pela identidade nacional, tornando-se espaço de encontro com outras culturas e identidades. De fonte tendência nacionalista, Lobato criou aventuras com personagens da cultura brasileira, recuperando inclusive costumes da roça e lendas do folclore. Mas não parou por aí: pegou essa “sopa” de personagens brasileiros e os enriqueceu ao “misturá-los” a personagens da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. A imaginação se constrói, assim, pela narrativa e em constante diálogo com outras narrativas. É muito interessante observar o contato entre todos os personagens de tradições diversas e os personagens do Sítio, que é de total interatividade: não só conversam e trocam opiniões como questionam suas próprias estórias e reinventam suas aventuras.

Para Todorov, o maravilhoso implica mergulhar num mundo de leis totalmente diferentes das que existem no mundo do leitor comum; por isso, os acontecimentos sobrenaturais que se produzem não são absolutamente inquietantes (apud. SOTERO, 2006. p. 17). Maravilhosas são as narrativas que apresentam personagens tanto reais quanto imaginários, vivendo em universo próprio, com lógica própria, profundamente contrastante com o que chamamos de “realidade”, como nos livros de Alice.

O rompimento das fronteiras entre o real e o maravilhoso é um dos diferenciais dos textos de Lobato de onde sobressai sua característica marcante, que é a presença de personagens tradicionais do mundo fantástico juntamente com personagens criados nas aventuras do Sítio do Pica-pau Amarelo. O maravilhoso lobatiano constrói uma espécie de realidade paralela onde as regras do mundo real são alteradas. O sucesso imediato entre os leitores decorreu de a realidade quotidiana, comum e familiar à criança, ser súbita e naturalmente povoada pelo maravilhoso.

Em sua obra, Carroll desenvolve os episódios do Humpty Dumpty, do Valete de Copas, dos gêmeos Tweedle Dee e Dum e do Leão e o Unicórnio, através de referências a jogos e canções infantis conhecidas (CARROLL e GARDNER, 2002. p. 200); enquanto Lobato concentrou em suas estórias personagens de quase todas as origens e mídias existentes na época. Elas são povoadas por figuras de mitos (Hércules, Medusa, Perseu, Minotauro, etc.), de contos (Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Simbad, Barba Azul, Patinho Feio, etc.), do teatro (O pássaro Azul e O fantasma da ópera), do cinema (Tom Mix e Gato Felix), de personagens bíblicos (São Pedro, São João, Judas, Caim e Jonas), de personagens extraídos da oralidade (Saci e Pedro Malasarte), de personagens históricos (Platão, Marquesa de Santos e Hipócrates), de personalidades brasileiras (Cornélio Pires, o palhaço Eduardo das Neves e Lampião), e do mundo das fábulas (Cigarra e a Formiga, Os animais e a peste, O lobo e o cordeiro, Os dois pombos, A menina do leite). Há ainda citações de obras infantis (As aventuras de Pinóquio, Peter Pan e Alice no país das maravilhas), (ver RIBEIRO, 2005. p. 259).

Só entram no Sítio as personagens aceitas por seus habitantes e uma vez lá se integram à vida das personagens lobatianas. A entrada é franca para os visitantes de diferentes universos ficcionais, que se identificam e convivem no Sítio: um mundo fantástico sem fronteiras de tempo e espaço e entre a realidade e a fantasia. Feito o contato, as idas e vindas entre o mundo imaginário e o mundo real são constantes. Os mundos se interpenetram no mosaico de histórias e personagens que desperta o leitor para outras dimensões através da criatividade e do espírito crítico.

A definição de Jenny é bem adequada ao universo de Lobato: A intertextualidade designa o trabalho de transformação e assimilação de vários textos, operado por um texto centralizador, que detém o comando do sentido (apud. CASTELLO BRANCO, 2007. p. 58). No Sítio, todas as narrativas consagradas são revistas e modificadas, adaptadas ao clima e à imaginação das personagens. Assim, a Carochinha é a contadora de histórias, julgadas bolorentas. Há uma crítica à mesmice com que a infância é tratada. As personagens querem “novidade”, “novas aventuras”. É Pedrinho quem diz: “Se Polegar fugiu é que a história está embolorada. Se a história está embolorada, temos de botá-la fora e compor outra. Há muito tempo que ando com esta idéia – fazer todos os personagens fugirem das velhas histórias para virem aqui combinar conosco outras aventuras” (LOBATO, 1956. p. 53).


O universo do Sítio do Picapau Amarelo | Reinações de Narizinho (1a edição) | litografia de Jean Villin.

Para chegar ao maravilhoso Reino das Águas Claras, em Reinações de Narizinho, é necessário atravessar uma gruta, a qual Narizinho jamais tinha visto por ali e que, a princípio, lhe inspira medo. De fato, esse é um portal de passagem semelhante ao de Alice para chegar ao País das Maravilhas e ao outro lado do espelho. Ao mesmo tempo, na 1ª edição de Narizinho Arrebitado (1921), a aventura de Narizinho/Lúcia termina com seu despertar, antes de responder ao pedido de casamento do Príncipe Escamado. O leitor se depara com a revelação de que ‘tudo não passara de um lindo sonho’, final que situa a narrativa no espaço onde “a lógica disciplina a fantasia” (CASTELLO BRANCO, 2007. p. 29). Como a menina sonhava, dissolve-se a presença do maravilhoso dentro do cotidiano.

Na versão definitiva, contudo, diluem-se as fronteiras entre real e maravilhoso e se dá uma fusão entre ambos (idem). Tanto que, em Reinações de Narizinho, a menina volta de sua primeira ida ao Reino das Águas Claras “por uma ventania muito forte, que envolveu a menina e a boneca [Emília], arrastando-as do fundo do oceano para a beira do ribeirãozinho do pomar. Estavam no Sítio de Dona Benta outra vez”, nas palavras de Lobato (1956. p. 20). Sem menção se a menina sonhava ou se o retorno ao quotidiano se deu pelo despertar do sono.

Os personagens do “mundo das maravilhas” nessa obra visitam o sítio do Picapau amarelo em duas ocasiões principais: vão participar de uma grande festa e assistir a uma apresentação de circo preparada pelo pessoal do sitio. Alice também vem ao circo. Mais adiante chega um personagem invisível, Peninha, que todos desconfiam ser Peter Pan, que mostra aos meninos o mapa do “Mundo das Maravilhas” e diz estar ele em toda parte. Pedrinho encontra no mapa o próprio Sítio do Picapau Amarelo, o mar dos piratas, a terra das mil e uma noites, a ilha de Robinson Crusoé, Liliput, a terra do Nunca e o castelo da bela adormecida. O país das maravilhas e a casa da Alice também estão lá, numa verdadeira cartografia intertextual.


Mapa do mundo das maravilhas. | Pena de Papagaio | Illustração: J. U. Campos. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1930.

A seguir, o diálogo entre Peninha e Pedrinho:

“– (...) O mundo das maravilhas é velhíssimo. Começou a existir quando nasceu a primeira criança e há de existir enquanto houver um velho sobre a terra.
– É fácil ir lá?
– Facílimo ou impossível. Depende. Para quem possui imaginação, é facílimo” (Lobato, 1956. p.254).

Mais adiante, são os personagens do Sítio que irão ao mundo dos personagens célebres da cultura universal. Peninha apresenta para Pedrinho, Narizinho, Emília e Visconde o pó de Pirlimpimpim, “o pó mais mágico que as fadas inventaram”, verdadeiro subversor de qualquer concepção racional de espaço e tempo, a ponte de intertextualidades inusitadas. É cheirando o pó que os meninos podem partir para o Mundo das Fábulas. Cheirar o Pó de Pirlimpimpim se assemelha atravessar o espelho ou penetrar na toca do coelho: desterritorialização da consciência, abertura para outras “terras” e “reinos” e diálogo com as figuras da imaginação que habitam em cada um de nós.

Em Memórias da Emília (1936), chega ao sítio o navio Wonderland com Alice e Peter Pan além de várias crianças inglesas para verem um anjinho caído do céu (referência ao livro Viagem ao céu, 1932). De todos, Alice é quem faz perguntas ao anjo sobre a vida no céu. Mais tarde, come os bolinhos da tia Nastácia que, de tão adoráveis, pede-lhe a receita. Alice fica encantada com a vida no sítio. Ao vê-la, tia Nastácia pergunta se a inglesinha fala português e Emília lhe confirma com uma de suas explicações: “Sim, pois Alice já foi traduzida para o português.” Ao mesmo tempo, na introdução de sua adaptação de Alice no Pais das Maravilhas, Lobato anuncia: “as crianças brasileiras vão ler a história de Alice por artes de Narizinho. Tanto insistiu esta menina em vê-la em português (Narizinho ainda não sabe inglês), que não houve remédio, apesar de ser, como dissemos, uma obra intraduzível.” (CARROLL, 1960. p.9)


Alice entre crianças inglesas encontra o anjo.| Memórias da Emília | Ilustração: Belmonte | São Paulo: Companhia Editora Nacional,1936.


Almirante Cook, Dona Benta, Tia Nastácia, Emília, crianças inglesas e Alice. | Memórias da Emília | Ilustração: Belmonte | São Paulo: Companhia Editora Nacional,1936.(contracapa)


Alice, Pedrinho e Peter Pan observam Emília com o anjo. | Memórias da Emília.| Ilustração:Paulo Borges. São Paulo: Editora Globo,2007.


Alice, Emília e tia Nastácia na cozinha do sítio. | Memórias da Emília | Ilustração: Paulo Borges. São Paulo: Editora Globo,2007.

Em carta dirigida a Godofredo Rangel, Lobato fala de seu projeto de escrever um livro onde as crianças quisessem morar, experimentando o mesmo sentimento vivido por ele em sua infância na leitura de Robinson Crusoé (apud. CASTELLO BRANCO, 2007. p. 33). Para ele, uma obra infantil deveria ter o propósito de transportar a criança para um universo interno ao texto e não demonstrar a realidade adulta sempre atrás da transmissão de preceitos morais.

Se as personagens dos contos de fadas, em Reinações de Narizinho, mostraram-se insatisfeitas por viverem sempre as mesmas aventuras, quando vêm ao Sítio, em O Picapau Amarelo, têm suas experiências modificadas, subvertidas. Os personagens do Mundo das Maravilhas se mudam para um terreno vizinho ao sítio, mas com a condição de Dona Benta de não invadirem o sítio, de não pularem a cerca. Eles ficavam para lá da cerca e ela e os netos ficavam do lado de cá nas velhas terras do sítio. Quando algum personagem do lado de lá quisesse visitá-los, tinha de tocar a campainha da porteira e esperar que o Visconde abrisse. As condições foram aceitas e, passada uma semana, a mudança dos personagens do Mundo da Fábula para as Terras Novas de Dona Benta teve início. O Pequeno Polegar puxou a fila e, logo depois, Branca de Neve com os sete anões, as Princesas Rosa Branca e Rosa Vermelha, o Príncipe Codadade, com Aladim, a Sherazade, os gênios e o pessoal todo das ‘Mil e Uma Noites’. A seguir, a Menina da Capinha Vermelha, a Gata Borralheira, Peter Pan e os Meninos Perdidos da ‘Terra do Nunca’ e o Capitão Gancho com o crocodilo atrás e os piratas; e o Senhor de La Fontaine em companhia de Esopo e de todas as suas fábulas; e Barba Azul com o facão de matar mulheres; e o Barão de Munchausen; e os personagens todos dos contos de Andersen e Grimm. Veio também D. Quixote junto de Sancho Pança, “Mas não vinham a passeio, não; vinham com armas e bagagens, com os castelo e palácios para morar ali toda vida” (LOBATO, 1968. p.22). Por fim, Alice “com o bando todo – Twidledum, o Gato Careteiro, o Coelho Branco, a tartaruga...” (LOBATO, 1968. p.24).

Em adaptação mais recente da obra de Monteiro Lobato (POPPOVIC,1979. s/n), os personagens do Sitio do Picapau Amarelo vão visitar várias estórias, entre elas Alice no Pais das Maravilhas. Emília, Visconde, Pedrinho e Narizinho seguem as pistas de Alice e recontam suas aventuras adaptadas ao olhar dos personagens do sitio que comentam e interagem com a estória.

Já em A chave do tamanho (1942), os personagens do sitio são confrontados com a realidade da guerra, “chega ao Sítio o carteiro trazendo jornais onde Pedrinho lê várias notícias sobre a guerra: ‘– Novo bombardeio em Londres, vovó. (...) Inúmeros incêndios. Mortos à beça’” (LOBATO, 2003, p.8). E Emília, cheia de iniciativa, utiliza o “super pó” e consegue chegar à Casa das Chaves. Lá estavam todas as chaves que “regulam e graduam todas as coisas do mundo” (LOBATO, 2003. p.9). Nenhuma delas, entretanto, possuía a indicação de sua utilidade. Entre as chaves disponíveis, Emilia escolhe uma ao acaso, que não era a chave da guerra: mas A Chave do Tamanho que, de imediato, reduziu toda a humanidade ao tamanho dos insetos. Ela, Emília, passa a ter 1 cm de altura, segundo a conta que faz. Essa alteração de tamanho se remete à Alice no País das Maravilhas, alusão confirmada por Emília no livro: “Aconteceu-me o que às vezes acontecia à Alice no País das Maravilhas. Ora ficava enorme a ponto de não caber em casas, ora ficava do tamanho dum mosquito. Eu fiquei pequenininha” (LOBATO, 2003. p.11). A diferença é que toda a humanidade encolhe como Emília e se cria a partir daí uma sociedade com novas regras em critica direta à conjuntura mundial do momento.

Por amor ao Brasil e à sua cultura, Lobato criou uma literatura infantil onde crianças brasileiras ficcionais e personagens do folclore convivem em igualdade com os personagens mais célebres da cultura universal, isto é, em relação de profunda amizade, afetividade e cumplicidade, e sem a reverência paralisante que dificulta novas formas de ser, pensar e criar. O projeto de Lobato, pode-se dizer, era fazer das crianças leitoras criticas do mundo. Construiu, assim, uma literatura infantil brasileiríssima sem abrir mão das preciosidades de outras fronteiras: ao contrário, apreciou o que havia de melhor nas culturas estrangeiras e trouxe para a sua literatura. E participou da construção do país, seguindo seu famoso jargão: “Um país se faz com homens e livros.”


Arte de Guto Lacaz sobre Alice de John Tenniel e Emília de Andre le Blanc.


Bibliografia Consultada:

CABRAL, Gladir da Silva. Imaginação e construção da identidade na obra de Monteiro Lobato. I Seminário Educação, Imaginação e as Linguagens Artístico-Culturais, 5 a 7 de setembro de 2005.
CARROLL, Lewis. GARDNER, Martin. ALICE: Edição Comentada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.
CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas. Tradução e adaptação: Monteiro Lobato. Editora brasiliense, 1960. 9a. ed.
CARROLL, Lewis. Alice no País do Espelho. Tradução e adaptação: Monteiro Lobato. São Paulo: editora brasiliense, 1961. 3a. ed.
CASTELLO BRANCO, Thatty de Aguiar. O maravilhoso e o fantástico na literatura infantil de Monteiro Lobato. Rio de Janeiro: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Departamento de Letras, 2007. Dissertação (mestrado).
LOBATO, Monteiro. A Chave do Tamanho. São Paulo: editora brasiliense, 2003.
LOBATO, Monteiro. Memórias da Emília. São Paulo: Círculo do livro, 1984.
LOBATO, Monteiro. O Picapau Amarelo. São Paulo: editora brasiliense, 1968. 13a. ed.
LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: editora brasiliense, 1956. 6a. ed.
POPPOVIC, Pedro Paulo. (ed.) Livro de Histórias: baseado na obra de Monteiro Lobato. Rio de Janeiro: Rio Gráfica Editora, 1979.
RIBEIRO, Maria Augusta Hermengarda Wurthmann. Guia de leitura de Reinações de Narizinho. PROGRAD/UNESP/Reitoria – Núcleo de Ensino do Campus de Rio Claro, 2005. Pesquisa de iniciação científica.
SOTERO, Alessandra Garrido. Contos, Fábulas, Mitos e Le Avventure di Pinocchio. Caderno Seminal Digital – Vol. 6 – Nº 6 – (Jul/Dez-2006). Rio de Janeiro: Dialogarts, 2006. pp. 7-33.
VIEIRA, Adriana Silene. “Um inglês no sitio de Dona Benta” Estudo da apropriação de Peter Pan na obra infantil lobatiana. Campinas: Universidade Estadual de Campinas - Instituto de estudos da Linguagem: 1998. Dissertação (mestrado).
WESTPHALEN, Flávia et al. Os tradutores de Alice e seus propósitos. In: Cadernos de Tradução. Florianópolis: NUT, 2001, v. 2, n. 8, p. 121-144

Alice canta | Alice sings

ALICE NO PAÍS DAS MÁS ERVILHAS | AVENTURAS SONORAS


Pré-edição e concepção | pre-editing and concept: Adriana Peliano
Música | Music: Paulo Beto

Quando eu ainda morava em Brasília, um dia me diverti com o fenômeno sonoro produzido pela reprodução num toca-discos de um compacto da Disney com o conteúdo de Alice no País das Maravilhas, totalmente empenado. O resultado era uma edição aleatória muito interessante do áudio do disco, ora subvertendo o texto, ora criando um efeito de gagueira bem divertido.
Eu gravei várias experiências e dei para o Paulo Beto (hoje meu marido) transformar em música. Ele procurou não alterar os resultados, apenas mixar com climas musicais produzidos num sintetizador KORG POLYSIX e num ROLLAND W-30. Como ele acabou fazendo várias faixas, a primeira foi mantida sem editar, e já em outras foram escolhidos trechos por temas como: "perder a cabeça" ou "estar sempre caindo".
Faz um longo tempo que isso está arquivado e achamos que este seria um ótimo momento para apresentá-lo. Divirtam-se e percam a cabeça!

When I was younger, I found a Disney Alice Record completely warped. I suddenly began to play with its stutter sounds, noises, voices and echoes, creating and recording a musical puzzle. The result is a funny game of words, a collage with dislocated meanings. My actual husband, Paulo Beto, boyfriend at that time, who is an amazing eletronic music composer, recreated the material, remixing the jumping sounds. You are welcome to loose your heads!

Tracklist:
01 - Alice no País das Más ervilhas
02 - Quem é você?
03 - Alice terá que perder a cabeça
04 - Mimi estou caindo
05 - Beba antes que seja tarde

http://www.mediafire.com/?odotymmzzmk

Barba Azul | Blue Beard


AS INFERNAIS MÁQUINAS DE DESEJO DO BARBA AZUL [2001]
THE INFERNAL DESIRE MACHINES OF BLUE BEARD.


Interpetação intertextual da estória do BARBA AZUL de Charles Perrault.
Intertextual interpretation of Charles Perrault's BLUE BEARD.
























































































Releituras e Interpretações da Lenda do Barba Azul.

Barba Azul, um conto de fadas escrito por Charles Perrault no século XVII, impressiona como um filme de terror e suspense, prenunciando as fantasias do século XX sobre os serial killers. Juntamente com Chapeuzinho Vermelho, por seu forte teor de violência e erotismo, Barba Azul é entre os contos clássicos aquele que apresenta o material adulto mais perturbador. O Barba Azul, ou o marido Ogro, é um bicho-papão que fascina e atrai as suas vítimas tanto quanto o seu público: o nome em si já desperta associações com sexo, virilidade e desejo. A câmara sangrenta, que sua última esposa abre com a chave que ele a proibira de usar, revela os cadáveres das ex-mulheres do Barba Azul, alertando-a para a iminência da sua própria morte. A chave, com sua nódoa de sangue que não se deixa limpar, denuncia então a esposa errante ao Ogro assassino: a chave é um símbolo da iniciação feminina, associada à perda da inocência infantil e da virgindade.

A barba é a marca do bode e dado o caráter libidinoso e diabólico desse animal, marca o seu parentesco com os sátiros e com outras personificações clássicas da luxúria como o Deus Pã e o próprio Demônio. Completamente fora de moda na côrte do Rei Sol, a barba do vilão de Perrault sinalizava um estranho, um marginal, um libertino. A palavra barba já se refere à barbárie e ainda tinginda de azul, intensifica o horror provocado pela sua aparência. A cor azul é a cor da profundeza ambígua, ao mesmo tempo do céu e do abismo e codifica o caráter terrível do Ogro, do seu castelo e de suas ações. O azul é a cor do lado sombrio, do maravilhoso e do inexplicável, do conhecimento e da melancolia, do raro e do inexperado.

Entretanto, um dos aspectos mais peculiares da conhecida história do Barba Azul é que a narrativa se concentra não nos assassinatos em série do Barba Azul, mas no ato de desobediência da esposa que entra no quarto proibido. Depois de Perrault a história chegou inclusive a ganhar como subtítulo: “os efeitos da curiosidade feminina” para identificá-la com contos admonitórios sobre a perversidade inata das mulheres. Conforme assinala Marina Warner no livro Da Fera à Loira, a árvore genealógica da heroína dessa história a aproxima tanto de Pandora, que abriu a caixa contendo todos os males, quanto de Eva, que comeu o fruto proibido. Ainda nessa relação, a câmara secreta seria como a caixa de Pandora, ou a árvore do conhecimento do bem e do mal e o Barba Azul por sua vez, desempenharia pelo menos dois papéis em sua própria história: por um lado o do deus ou patriarca autoritário cujas ordens devem ser obedecidas a qualquer custo e por outro, o da serpente que seduz despertando a curiosidade e o desejo, que provocarão uma desobediência que será punida violentamente.

Os Contos de fadas têm significados em muitos níveis. Mircea Eliade (in Bettelheim: 1996) os descreve como modelos para o comportamento humano que dão significação à nossa vida. Os psicanalistas freudianos se preocupam em mostrar que tipo de material psicológico reprimido está subjugado nos mitos e contos de fadas e como estes se relacionam aos sonhos e devaneios. Entre estes comentadores, Bruno Bettelheim identifica na história de Barba Azul o confronto com o mistério da sexualidade que, ao dramatizar de modo tão sangrento o pavor da defloração, ajuda a abrandá-lo.

Os psicanalistas jungianos, por sua vez, frisam que as figuras e os acontecimentos dos contos de fadas estão de acordo com fenômenos psicológicos arquetípicos e simbolizam a necessidade de se atingir um estado mais elevado de auto confiança e realização, numa renovação interna que é conseguida à medida que as forças inconscientes tornam-se disponíveis para serem trabalhadas pela mente consciente.

Dentro de uma abordagem jungiana, em Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola Estés enfatiza que os contos de fadas compreendem o drama da alma das mulheres, promovendo extensas escavações psíquico-arqueológicas nas ruínas do mundo subterrâneo feminino. Nesse sentido entretanto, ela denuncia o processo histórico de domesticação dos contos de fadas, de forma que se perderam muitos dos contos femininos que continham instruções sobre o sexo, o amor, o casamento, o parto, a morte, a transformação, que explicavam mistérios antigos e rituais de iniciação. Da maioria das coletâneas de contos de fadas e mitos hoje existentes foi expurgado tudo que fosse escatológico, sexual, perverso, feminino, iniciático, ou que se relacionasse às deusas, que representasse a cura para vários males psicológicos ou que desse orientação para o alcance de êxtases espirituais.

As narrativas míticas são portanto representações simbólicas de verdadeiros mapas iniciáticos. O conto do Barba Azul fala do despertar e do crescimento interior feminino. Ele nos ensina o que devemos fazer com o ferimento que não para de sangrar. Ele também nos mostra a necessidade de penetrarmos nas trevas para que possamos renascer num outro nível de consciência. A figura do Barba Azul representa neste contexto o carcereiro, o predador interior, simbolizando os padrões e as forças internas destrutivas. Compreender a natureza do predador significa portanto amadurecer, tornar-se menos vulnerável à ingenuidade, à inexperiência e à insensatez. Enquanto a chave é o acesso ao conhecimento interior, os segredos mais profundos e obscuros da psiquê, o papel do Barba Azul é o de tentar proibir a mulher de ter acesso a ele, tomando assim consciência de si mesma e do Outro.

Entretanto, cabe ressaltar a natureza intrinsecamente ambígua dos contos de fadas, passíveis de múltiplas interpretações. Para as mulheres e para as meninas, em particular, identificadas com as heroínas dessas histórias, os contos de fadas assumem uma condição contraditória de serem ao mesmo tempo uma clausura espiritual e um modelo de bom comportamento, fragilidade e submissão e por outro lado, um fantástico grito de guerra em seu poder de tranformação e em seus impulsos emancipatórios. Em épocas e contextos diferentes, as mesmas histórias podem suportar a ideologia dominante ou articular o desejo de mudança. Como máquinas de desejo, os contos de fadas reforçam as normas socias e configuram máscaras e papéis sexuais ao mesmo tempo que mostram múltiplas possibilidades de mudança e de transformação.

Nas leituras contemporâneas da história, não é mais o castigo sobre a desobediência que está em jogo na história do Barba Azul, mas a necessidade interior de entrar no quarto proibido. A heroína precisa conhecer sobre a natureza do marido e sobre a própria sexualidade e o seu mundo oculto e sombrio para poder então triunfar sobre a morte e a destruição. Ação e coragem e não apenas curiosidade faz com que ela entre no quarto probido. Apenas depois de enfrentar a sua própria sombra e descer ao inferno, reconhecendo também a sua própria cumplicidade no papel de vítima e objeto do desejo do Ogro, a mulher pode ser dona e sujeito do próprio desejo.

O lado excessivo, exaltado e sádico dos contos de fadas, nos quais se destaca o Barba Azul, tornou-os ainda mais obrigatórios nas últimas décadas do século XX, especialmente para os adultos. Escritores criativos têm se inspirado nos contos de fadas recriando essa matéria-prima através de uma manipulação política, erótica ou meta-linguística. Reler textos conhecidos implica na urgência de novas questões, novas práticas e desejos, o que tem sido responsável pela formação de uma forte linhagem de releituras contemporâneas de contos de fadas voltadas para o público adulto, através de autores e artistas que se recusam a se submeter à autoridade das convenções e estereótipos, revisando esses contos clássicos e se apropriando deles de forma questionadora ou mesmo subversiva.

A lenda do Barba Azul inspirou um impressionante conjunto de obras nos dois últimos séculos; desafiando grandes artistas a reinterpretar a sua história e a das suas esposas, em diferentes abordagens e suportes artísticos. Béla Bartok escreveu uma ópera sobre o tema; Pina Bausch adaptou a história para o teatro; no filme O Piano (de Jane Campion) também está implícita uma releitura do mito; Cindy Sherman ilustrou O pássaro de Fichter (a versão dos irmãos Grimm para a história do Barba Azul) em um livro de contos de fadas para adultos. Esses são alguns dos exemplos mais marcantes.

Escritoras como Anne Sexton, Margareth Atwood e Angela Carter deram um tratamento renovado aos contos de fadas. Angela Carter em especial tornou-se nos últimos anos uma referência obrigatória e símbolo da escrita pós-moderna e experimental. Em alguns de seus contos foi baseado o filme Companhia de Lobos (1984) de Neil Jordan, do qual ela foi co-roteirista. Suas histórias investem contra as boas mocinhas, a favor do talento corruptor das virgens. Contos sobre o Barba Azul, Chapeuzinho Vermelho e A Bela e a Fera no livro The Bloody Chamber propõe heroínas que tomam a consciência e o controle sobre o próprio desejo, fazendo aflorar o conteúdo sexualmente latente dessas histórias. No ensaio The Sadeian Woman (in Carter: 2000) Carter define dessa forma a condição feminina nos contos de fadas: Ser objeto de desejo é ser definida pela voz passiva. Existir na voz passiva é morrer na voz passiva; ou seja, ser morta. Essa é a moral que o conto de fadas reserva para a mulher perfeita.

Enquanto os contos de fadas tradicionais estabelecem modelos e padrões de comportamento, as releituras pós-modernas desses contos buscam explicitar e subverter seus mecanismos e artifícios.Transformar a política do desejo contruída nos contos de fadas significa conhecê-los e confrontá-los, mais do que simplesmente rejeitar o universo desses contos como gênero histórico que configura e aprisiona em estereótipos o papel social e sexual das mulheres. As heroínas das histórias do século XX ( e agora do século XXI) sobre casamentos com monstros e feras não os rejeitam mais: desafiam os padrões dominantes e recebem com satisfação e consciência as descobertas iniciáticas que o casamento e a união sexual lhes trazem. A última esposa do Barba Azul personifica neste contexto a revolução radical da sexualidade iniciada no século XX, expressando para nós a nova mulher que desvenda, reconhece e expressa o seu mundo interior assim como os seus desejos mais profundos.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BACCHILEGA, Cristina. Post Modern Fairy Tales: Gender and Narrative Strategies. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1997.
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
CARTER, Angela. O Quarto do Barba Azul. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que Correm com os lobos. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
KOLBENSCHLAG, Madonna. Adeus, Bela Adormecida: A revisão do papel da mulher nos dias de hoje. São Paulo: Saraiva, 1991.
Sem autor. Marcel Duchamp. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.
MENDES, Mariza B. T. Em busca dos contos perdidos: O significado das funções femininas nos contos de Perrault.
São Paulo: Unesp, 1999.
MUTHESIUS, Angelika e Burkhard Riemschneider / editores. El erotismo en el arte del siglo XX. Taschen, 1992.
PERRAULT, Charles. Contos de Perrault. Belo Horizonte: Itatiaia, 1989.
SEXTON, Anne. Transformations. Boston: Houghton Mifflin Company, 1971.
WARNER, Marina. Da Fera à Loira. Sobre Contos de Fadas e seus narradores. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
ZDENEK, Felix e Matin Scwander / editores. Cindy Sherman: Photographic Work 1975 – 1995. Hamburg: Schimer Art Books, 1996.

03/01/2009

Epifanias | Epiphanies

[1999]
Ilustrações inspiradas na obra A paixão segundo GH de Clarice Lispector.

Illustrations inspired on the book The Passion according to GH by Clarice Lispector.























EPIFANIAS

Affonso romano Sant’anna chamou de Epifania uma condição fundamental das obras de Clarice que se manifesta pela súbita revelação de uma verdade inventada. É a percepção de uma realidade perturbadora quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam uma iluminação súbita na consciência.

Ilustrar é aqui compreendido como trazer à luz, na criação de imagens, impressões ou Epifanias, zonas de luz e sombra, revelações, através de uma visão pessoal, intuitiva e aberta, sem perder o compromisso com o texto no que ele tem de essencial. Aprendendo assim com a linguagem de Clarice, que longe de ser um instrumento submisso de descrição do mundo, é um espaço de invenção.

Uma mulher encontra uma barata num quarto de empregada. As duas se olham. Inicia-se um confronto entre GH e a barata e um acontecimento que poderia ser banal abre as portas para uma profunda experiência de linguagem. Da impotência de GH em relatar o acontecido, ela parte em busca do mistério por trás das palavras, enquanto Clarice produz um romance de introspecção intensa onde o embate com a linguagem é levado a domínios que ultrapassam os limites da expressão verbal.

GH se identifica com a barata, com o Outro. A barata é pré-histórica e ancestral: cariátide, hieróglifo, pintura rupestre. Entre devaneios e Epifanias, ela inicia um percurso de dor e alegria em direção às raízes de sua identidade, num ritual que vacila entre o grotesco e o sublime. GH atravessa a perda de tudo o que se pode perder e ainda assim ser. Nessa desorganização profunda, ela cria um interlocutor e dirige sua voz a esse outro inventado: uma mão anônima. Essa mão decepada de um leitor anônimo torna-se o suporte necessário para a sua narrativa: ela acompanha o personagem durante todo o relato e nela busca um apoio, uma forma e uma organização.

“Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginas que alguém está me dando a mão.” Clarice Lispector

Na sua impotência de verbalizar o que aconteceu, GH se entrega a meditações visuais. Seu relato é repleto de imagens de uma cartografia interior que vagueia entre espaços místicos, oscilando entre a superfície e a profundidade, a aridez e a umidade. Desertos, ruínas, cavernas, subterrâneos, infernos, lagos profundos e abismos suportam a paixão de GH, peregrinação rumo ao seio da natureza, inferno da matéria viva. Dolorosas visões do impensado.


EPIPHANIES

The writer Affonso Romano Sant’anna called Epiphany a fundamental condition of Clarice’s books that is manifested by one sudden revelation of one “created truth”. It’s the perception of one disturbing reality that appears when the simpler objects, the more habitual gestures and the commonly situations bring a sudden light to our conscious.

Illustration is understood here as an operation to bring to the light impressions and epiphanies, through a subjective, intuitive and open approach, in search for a compromise with the essence of the text. Learning with Clarice’s language, that far from being on submissive instrument to describe the world, is one space of invention.

A woman meets a cockroach at the maid’s room. They recognize each other. It produces a confrontation between GH and the cockroach and an event that could be banal, opens the door to a deep experience of language. From the GH’s impotence to tell about what has happened, she begins her adventure seeking the mystery behind the words. She produces a romance of intense introspection, where the delirium of the language goes trough domains that overstep the limits of verbal expression.

GH mixes her identity with the cockroach’s one. The animal is prehistoric and ancestral: caryatids, hieroglyph, picture from the caves. Among daydreams and Epiphanies, she initiates a journey of happiness and pain searching for the roots of her identity. In a ritual that oscillates between the grotesque and the sublime, GH loses everything that one can loose and continue to be. IN this deep disorganization she invents a interlocutor: an anonymous hand. This hand cut off from an imaginary reader becomes the support for her discourse.

“I’m so scared that I can only accept that I’m lost if I imagine that someone is giving me the hand.” Clarice Lispector

In her impotence to verbalize what has happened, GH goes trough several visual meditations. Her speech is full of images from her inner cartography that crosses mystic spaces, oscillating among surfaces and depths, aridity and humidity. Deserts, ruins, caves, volcanoes, undergrounds, deep lakes and chasms illustrates GH’s travel and passion, peregrinating to the breast of nature, to the hell of living matter. These are painful visions of the untouchable.

Para Angela Carter | To Angela Carter


AS MÁQUINAS DE DESEJO DE ANGELA CARTER










"Os contos de fadas recriam o mundo segundo a imagem do desejo."
Marina Warner


Nazareno e Adriana Peliano são artistas plásticos que vêm trabalhando nos últimos anos em estreita relação com a literatura, com especial atenção para o universo das narrativas dos contos de fadas. Nesse projeto se reúnem para prestar homenagem à obra da escritora inglesa Angela Carter, numa instalação multimídia que dialoga intimamente com a obra da autora em sua releitura crítica, poética e erótica de contos de fadas clássicos como “Chapeuzinho Vermelho”, “A Bela e a Fera” e “Barba Azul”.

A instalação configura uma “floresta” encantada de cabelos, cortinas, saias, maçãs, cheiros, vozes e metamorfoses. Grandes saias de crinolina inspiradas no período vitoriano, também conhecidas como “cage crinolines” traduzem o conflito das heroínas das histórias de Carter, em busca da liberdade do desejo, questionando as armadilhas que os contos de fadas reservam para a mulher perfeita e domesticada. As maçãs e os cabelos possuem um forte caráter mágico e simbólico, como imagens do desejo. Os longos cabelos da heroína aprisionada são também uma presença marcante no universo desses contos.

Em baixo de cada saia pode-se ouvir narrativas de fragmentos das estórias de Carter, aproximando o público do universo literário da escritora através de uma fonte oral, origem primordial dos contos de fadas. Sons de floresta habitam o espaço, criando uma paisagem de sonho e fantasia com luzes, odores e ruídos. Nesse ambiente, o mundo domesticado das belas heroínas loiras se contrapõe ao mundo selvagem das florestas e das feras peludas, numa viagem de armadilhas e metamorfoses, segredos escondidos atrás das cortinas e revelados debaixo das saias.

“As árvores estremecem com um som como de saias de tafetá de mulheres que se perderam nos bosques e desesperadamente procuram uma saída. (...) As florestas fecham-se e voltam a fechar-se como um sistema de caixas chinesas que se abrem para dentro uma das outras; as perspectivas íntimas da floresta alteram-se indefinidamente ao redor do intrometido, do viajante imaginário que não para de andar em direção a algo inventado que perpetuamente se afasta.”
Angela Carter


Exposição no Centro Brasileiro Britânico. São Paulo, SP [2007]


DESIRE MACHINES OF ANGELA CARTER

"Fairy tales recreate the world in the image of desire."
Marina Warner


Nazareno and Adriana Peliano are visual artists that in recent years have been working in close relationship with literature, paying special attention to the universe of the narratives of fairy tales. In this project they have come together to pay homage to the work of the English writer Angela Carter, with a multimedia installation that sets up an intimate dialogue with the work of the author in her critical, poetic and erotic rereading of classic fairy tales like “Little Red Riding Hood”, “Beauty and the Beast” and “Blue Beard”.

The installation forms an enchanted “forest” of hair, curtains, skirts, apples, smells, voices and metamorphoses. Large crinoline skirts inspired by the Victorian period, also known as “cage crinolines”, translate the conflict of the heroines in Carter’s tales, in search of the liberation of desire, questioning the traps that fairy tales reserve for the perfect domesticated woman. The apples and hair possess a strong magical and symbolic character, as images of desire. The imprisoned heroine’s long hair is also a striking presence in the universe of these tales.

From under each skirt can be heard narratives of extracts from Carter’s tales, bringing the public closer to the writer’s literary universe through an oral source, the primordial origin of the fairy tales. Forest sounds inhabit the space, creating a landscape of dream and fantasy with lights, smells and noises. In this ambience, the tamed world of the beautiful blond heroines is contrasted with the savage world of the forests and naked wild beasts, on a journey of traps and metamorphoses, secrets hidden behind the curtains and revealed beneath the skirts.

“The trees stir with a noise like taffeta skirts of women who have lost themselves in woods and hunt round hopelessly for the way out. (…) The woods enclose and then enclose again, like a system of Chinese boxes opening one into another; the intimate perspectives of the wood changed endlessly around the interloper, the imaginary traveller walking towards and invented distance that perpetually receded before me. It is easy to lose yourself in these woods.” Angela Carter

CRÉDITOS | CREDITS
Criação e realização | Conception and production | Adriana Peliano e Nazareno
Textos | Texts: Angela Carter
Desenho sonoro | Soundtrack: Paulo Beto
Vozes | Voices: Elizabeth Chamas (english), Geanine Marques, Márcia Nunes e Tereza Cavalcanti Vasques
Confecção de figurinos e cenários | Set design and costumes manufacturing: Cassio Brasil
Atrizes | Actors: Letícia de Paula, Marina Ladeira, Marilza dos Santos, Naira do Amaral, Endora e filhotes.
Câmera | camera: Paulo Beto
Edição e pós-produção de vídeos | Editing and video pos-production | Ringo Giacobelis

http://www.culturainglesasp.com.br/festival/content/asmaquinasdedesejodeangelacarter.mmp








AS MÁQUINAS DE DESEJO DOS CONTOS DE FADAS


"Os contos de fadas recriam o mundo segundo a imagem do desejo."
Marina Warner

"As histórias de fadas são a ligação mais visceral que temos com a imaginação de homens e mulheres cujos trabalhos criam nosso mundo."
Angela Carter

“Receie e fuja do lobo; porque, pior do que tudo, o lobo pode ser mais do que parece”, avisa o narrador de um dos contos de Angela Carter, escritora de estórias habitadas por donzelas que querem descobrir o seu lado selvagem, atraídas pelo desviante e pelo proibido, donas de um desejo complexo e transgressor. No ensaio The Sadeian Woman (1979) Carter define assim a condição feminina nos contos de fadas: “Ser objeto de desejo é ser definida pela voz passiva. Existir na voz passiva é morrer na voz passiva; ou seja, ser morta. Essa é a moral que o conto de fadas reserva para a mulher perfeita.”

O lado perverso e sombrio dos contos de fadas tornou-os ainda mais requisitados nas últimas décadas do século XX. Enquanto os contos clássicos estabeleciam modelos e padrões de conduta, suas releituras pós-modernas buscam explicitar e desmascarar seus mecanismos e artifícios. Desobedientes e subversivas, novas estórias revelam o que estava velado e implícito sob os moldes de bom comportamento cultivados por versões domesticadas e açucaradas dos contos clássicos.

Angela Carter em especial tornou-se nas últimas décadas uma referência obrigatória e símbolo da escrita pós-moderna e experimental. Suas estórias investem contra as boas mocinhas e a favor do talento corruptor das virgens. Versões contemporâneas do Barba Azul, Chapeuzinho Vermelho e A Bela e a Fera no livro ‘O Quarto do Barba Azul’ (1979) propõe heroínas que tomam consciência e assumem o próprio desejo. Carter explode o estereótipo dos contos de fadas como sistema fechado e estático, mobilizando os múltiplos e contraditórios simbolismos produzidos em diferentes contextos sociais e históricos. Se a Bela teve que aprender a ser uma esposa amorosa no século XVIII no final do século XX ela decidiu brincar com a Fera porque sua natureza selvagem a excitava, desvinculando sexo do amor.

Dentro de uma abordagem jungiana, Clarissa Pinkola Estes em ‘Mulheres que Correm com os Lobos’ enfatiza que os contos de fadas compreendem o drama da alma das mulheres, uma chave no caminho do auto conhecimento, promovendo extensas escavações psíquicas arqueológicas nas ruínas do mundo subterrâneo feminino. Ela recupera algumas versões esquecidas dos contos de fadas, compreendidas por ela como representações simbólicas de verdadeiros mapas iniciáticos em direção ao self da mulher selvagem.

Nesse sentido ela denuncia o processo histórico dos contos de fadas, de forma que se perderam muitos dos contos femininos que continham instruções sobre o sexo, o amor, o casamento, o parto, a morte, a transformação, que traziam mistérios antigos e rituais de iniciação. Da maioria das coletâneas dos contos de fadas e mitos hoje existentes foi eliminado tudo que fosse escatológico, sexual, perverso, iniciático.

Apesar de reconhecer os méritos da leitura arquetípica e psicanalítica dos contos de fadas, a pesquisadora britânica Marina Warner no livro ‘Da Fera à Loira’, propõe uma análise erudita sobre as circunstâncias históricas do surgimento dos contos de fadas e as motivações reais de seus narradores. Dessa forma ela mostra que se há elementos que efetivamente entrecruzam gerações e culturas diferentes, há outros que são enraizados em experiências humanas, associados a costumes sociais e contextos históricos e geográficos específicos, variando também seu significado. Com seu foco de interesse na representação da figura feminina nessas histórias, Marina Warner examina a misoginia de alguns dos mais célebres contos de fadas e a partir deles a própria evolução histórica do gênero em suas múltiplas possibilidades expressivas.

Conduzimos aqui um enfoque sobre a construção das personagens femininas nos contos de fadas. Nesse sentido, cabe ressaltar a natureza intrinsecamente ambígua desse contos passíveis de múltiplas interpretações, assumindo a posição de serem ao mesmo tempo uma clausura espiritual e um modelo de bom comportamento, fragilidade e submissão e por outro lado, um grito de guerra em seu poder de transformação e em seus impulsos emancipatórios. Em épocas e contextos diferentes as mesmas histórias podem suportar a ideologia dominante ou articular o desejo de mudança. Como máquinas do desejo, os contos de fadas reforçam as convenções e configuram máscaras e papéis sociais ao mesmo tempo que mostram múltiplas possibilidades de transformação e metamorfose.

Leitora de Lewis Carroll, Carter fez seu personagem no conto ‘Alice Lobo’, “atravessar o espelho e viver do outro lado das coisas”, assim como Marcel Duchamp disse uma vez que o artista, tal como Alice no País das Maravilhas, teria que atravessar o espelho da retina para alcançar uma expressão mais profunda.

Artistas contemporâneos têm se inspirado nos contos de fadas clássicos recriando essa matéria-prima através de uma manipulação política, erótica ou metalingüística. Reler contos conhecidos implica na urgência de novas questões, novas práticas e desejos, o que tem sido responsável pela formação de uma forte linhagem de releituras dos contos de fadas, através de artistas que se recusam a submeterem-se à autoridade das convenções e estereótipos, revisando os contos clássicos e deles se apropriando de forma poética.

O tema da Bela e a Fera já estava presente nos objetos surrealistas de Meret Oppenheim como Le Déjeuner en fourrure (1936, fig.1) onde uma xícara de chá, um pires e uma colher de pêlo de antílope tornam visíveis através de alusões eróticas a presença problemática do selvagem no seio do civilizado, o lugar do animal na sociedade e as amarras sociais da sexualidade.

Meret Oppenheim, Le Déjeuner en fourrure, 1936.

Cindy Sherman ilustrou ‘O Pássaro de Fichter’ em um livro de contos de fadas para adultos, recuperando a violência do original dos irmãos Grimm, numa atmosfera de ameaça e crimes sexuais (1992, fig. 2). Através de montagens com bonecos de cera, plumas, cabelos e jóias criou fotografias simulando cenas de um filme de horror e suspense. Em ‘loop my loop’ (1991, fig. 3) a artista inglesa Helen Chadwick faz uma trança de cabelos loiros e brilhantes com tripas de porco, evidenciando o aspecto dual da sexualidade, questão central nos contos de fadas. Já a artista portuguesa radicada em Londres Paula Rego inspirou-se nas rimas infantis inglesas aparentemente ingênuas para explorar aspectos das fantasias femininas mais sinistros do que se admite e também conseguiu mexer com as profundezas psíquicas. (1989, fig.4)

Cindy Sherman, Fichter's Bird, 1992.

Helen Chadwick, Loop my loop,1991.

Paula Rego, Nursey rhymes, 1989.

As maravilhas e as monstruosidades, as botas de sete léguas e os espelhos encantados, os animais falantes, os heróis e heroínas transformados em sapos, ursos ou gatos, as estrelas na fronte da irmã boa e o surgimento de uma cauda de jumento na fronte da irmã malvada, todos os prodígios que criam a atmosfera dos contos de fadas desestruturam o mundo apreensível de modo a abrir espaços para alternativas oníricas, como salienta Marina Warner.

Segundo o crítico literário Northrop Frye, especialista em William Blake, não há idéias mortas em literatura, há apenas leitores cansados. Ler de novo como novas perguntas, apropriações e deslocamentos em novas mídias e suportes. Buscar no conhecido o desconhecido. Como disse um dia André Breton, “O que nos impede de misturar a ordem das palavras e com isso provocar um ataque à existência evidente das coisas?”

BIBLIOGRAFIA
BACCHILEGA, Cristina. Post Modern Fairy Tales: Gender and Narrative Strategies. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1997.
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
CARTER, Angela. O Quarto do Barba Azul. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
CARTER, Angela. As Infernais Máquinas de Desejo do Dr. Hoffman. Rio de Janeiro: Rocco, 1989.
ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que Correm com os Lobos. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
PERRAULT, Charles. Contos de Perrault. Belo Horizonte: Itatiaia, 1989.
SEXTON, Anne. Transformations. Boston: Houghton Mifflin Company, 1971.
Warner, Marina. Da Fera à Loira. Sobre Contos de Fadas e seus Narradores. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
ZDENEK, Felix e Matin Scwander / editores. Cindy Sherman: Photographic Work: 1975 – 1995. Hamburg: Schimer Art Books, 1996.

Como vocês podem ver | As you can see

COMO VOCÊS PODEM VER



Como vocês podem ver é um vídeo produzido durante a Ocupação do Paço das Artes em agosto de 2005. A instalação foi desenvolvida diante do público, num exercício constante de exposição do processo criativo, do precário e do inacabado. Naquela época eu estava mudando para uma nova casa e resolvi acampar provisoriamente no museu, transportando cerca de três caminhões de objetos pessoais para o espaço da ocupação. Comecei a trabalhar com esses objetos criando territórios imaginários nômades e movediços, num jogo de deslocamentos e apropriações.

Criei então uma floresta onde os sentidos se embaralhavam. Nesse mundo era preciso ter a coragem de arriscar um pensamento selvagem de bricoleur, sempre alerta para desmontar os quebra-cabeças da linguagem. No final, quando eu estava empacotando tudo, essa atividade se transformou espontaneamente num laboratório de sonhos e fábulas. Coloquei para tocar alguns disquinhos de contos de fadas que eu tinha comigo e interagi com as estórias de forma improvisada e imprevisível. Tomava coisas quebradas, usadas, inapropriadas para dar lhes outros usos e criar novos mundos.

Uma nova instalação foi criada na Galeria Emma Thomas para abrigar o vídeo performance do Paço das Artes.
[2007]

AS YOU CAN SEE...

Como vocês podem ver is a video produced during the Occupation of the Paço das Artes in august of 2005. The installation was developed in front of the public, in a constant exercise of exposure of the creative process, the precarious and the unfinished. At that time I was moving to a new home and decided to camp provisionally in the museum, transporting around three truck loads of personal objects to the space of the occupation. I began working with these objects, creating imaginary nomadic and shifting territories, in a game of dislocations and appropriations.

So I created a forest where the senses were shuffled around. Within this world it was necessary to have the courage to risk the savage thinking of the bricoleur, a jack-of-all-trades, always ready to break up the puzzles of language. At the end, when I was packing everything up, this activity was spontaneously transformed into a laboratory of dreams and fables. I played some fairy tale records I had with me and interacted with the stories in an improvised and unpredictable way. I picked up broken, used, inappropriate things to give them other uses and create new worlds.

A new installation was created in the Galeria Emma Thomas to house the video performance from Paço das Artes.[2007]

Créditos | Credits
Instalação e performance | Performance and Installation: Adriana Peliano
Som e vídeo | Soundtrack and video: Paulo Beto
Músicas | Songs: Pierre Henry, John Cage, Margareth Leng Tan
Estórias | Stories: Coleção Disquinho | Patinho Feio, Moura Torta, Gata Borralheira, Chapeuzinho Vermelho | Ugly Duckling, Cinderella | Little red hiding hood.










Objetos Animados | Animated Objects

A CASA DA BRUXA [2000]


Quando eu tinha doze anos, eu dirigi, atuei e fiz o cenário para uma peça de João e Maria. Como uma criança gulosa, eu comecei produzindo uma Linda casinha para a bruxa, coberta com muitos doces, balas e biscoitos, do tamanho de um bolo. Mas o cenário era o interior da casa e a casinha de doces foi parar em cima da mesa como uma armadilha para outras crianças gulosas como eu. Como diretora e roteirista da peça, eu tinha reescrito a estória tradicional, criando a explicação absurda e paradoxal de que “as chuvas fortes tinham feito a casa encolher tanto que ela tinha corrido para dentro de si mesma para que finalmente pudesse parar de encolher.

A CASA DE BONECAS

Doze anos depois, eu fui a Londres pela primeira vez para mostrar minhas ilustrações de Alice no centenário de Lewis Carroll em Oxford. Naquela época eu estava obcecada com a questão da mudança de tamanho, sempre procurando por garrafas e biscoitos que poderiam ser as chaves para essas transformações. O tesouro mais precioso que eu encontrei estava dentro de um museu de brinquedos. Para começar quando eu entrei no museu eu senti que estava entrando numa caixa de brinquedos gigantesca, quando uma súbita aparição provocou um sentido ao mesmo tempo de delicadeza e abismo que dissolveu minha antiga imagem da caixa de brinquedos. Eu tinha encontrado uma pequena casa de bonecas dentro de um quarto de criança de uma outra casa de boneca. Ela era tão pequena e perfeita mas ao mesmo tempo era a guardiã de um buraco negro secreto. Imediatamente a minha imaginação colocou dentro da casinha uma outra casa de bonecas e então outra e mais outra e assim sucessivamente. Então eu conclui que ao invés de uma caixa de brinquedos o próprio museu era uma enorme casa de bonecas. E assim num lapso de tempo a realidade desapareceu e ao invés de um programa turístico, eu tinha encontrado uma escada para o infinito.

MEU QUARTO

Meu quarto é meu lugar especial no mundo, um artifício da minha imaginação, parte uma caixa de brinquedos, parte uma casa de bonecas, um refúgio irresistível. Colecionando objetos eu construo um mundo em miniatura, onde as memórias da infância e as fantasias de uma caçadora são constantemente renovadas através de um olhar melancólico. Objetos são guardados por muito tempo, objetos são encontrados em lugares inesperados, objetos são descobertos em dias especiais e em dias comuns. Todos eles se transformam em tesouros na minha coleção de sonhos. Então na hora de dormir eu conto estórias para eles e imagino que eles irão acordar no meio da noite para viverem suas vidas secretas e quando eu acordar eles não terão conseguido voltar para seus lugares. Suas posições não são nunca fixadas, nem suas relações, nem suas articulações, sentidos ou significados. Mas eu tenho certeza de que todos eles sabem em seus corações que um dia podem ser convidados a abandonarem seus lugares no meu jogo das maravilhas e então participarem em uma construção alegórica num filme de animação ou em um livro ilustrado.


A CASINHA ENCANTADA

Dentro desse quarto você pode encontrar o exterior de meu mundo imaginário. Então, em meu pesadelo, é impossível escapar do meu mundo dos sonhos porque se eu tentar sair do quarto, volto para dentro dele no meu mundo em miniatura. A casinha encantada é uma chave do tamanho e também uma armadilha terrível. A casinha encantada não tem janelas. Ela é uma caixa preta, contendo um segredo, como um anel de Moebius. Eu tive então que tirar fotos do quarto e coloquei os slides dentro da casa, criando assim possíveis janelas e talvez possíveis saídas. Mas quando eu coloquei dentro da casinha uma imagem da própria casinha, eu comecei imediatamente a imaginar que dentro da outra casa tinha uma outra casinha, e mais outra, e assim sucessivamente até o infinito. Dessa forma, como meu quarto estava dentro da casinha, eu estava correndo o sério risco de ser sugada na espiral de imagens e me perder nesse labirinto de janelas até o infinito e ser então capturada. Como eu poderia sair do meu quarto através da casinha e me livrar de suas armadilhas irresistíveis?


O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN

Depois de encontar o tesouro de uma criança numa caixinha secreta, a vida de Amelie Poulain teve uma mudança repentina. Ela decidiu que se ela pudesse achar o dono daquele tesouro precioso, ela começaria a ajudar as pessoas a mudarem suas vidas e ela então começou a criar várias estratégias para isso. Um conto de fadas contemporânea, essa é uma fábula sobre a necessidade das pessoas de saírem de suas conchas e encontrarem as outras. Amelie me ajudou também. Para superar minhas próprias armadilhas e acordar do meu país das Maravilhas particular, eu decidi trazer comigo meu quarto em miniatura, como colecionadora nômade. Então eu segui a estratégia do anão de Amelie, fazendo fotos da minha casinha em nosso destino fabuloso. E então partimos deixando o resto para trás.









THE WITCH HOUSE

When I was twelve years old, I acted, directed and designed the set for a “Hansel and Gretel” play. As a greedy child I was, I began producing a beautiful and sweet house for the witch, assorted with many candies and cookies with the size of a cake. But the set was the interior of the house and the cake house went direct to the top of the table as a trap for other greedy children like me. As the director and the scriptwriter of the play, I had rewritten the traditional story, creating the nonsensical and paradoxical explanation that: “the heavy rains had made the house shrink so much that its exterior had gone to its interior to run away from the bad weather, when finally and fortunately the shrinking process had stopped.

THE DOLL’S HOUSE

Twelve years later, I went to England to show my Alice illustrations at the Lewis Carroll Centenary in Oxford. At that it I was completely obsessed with the matter of size changing, always looking for bottles and cakes that could be the keys for these transformations. The most precious treasure I found was inside a beautiful toy museum. First of all when I entered the building I felt that I was emerging into a huge toy box, when a sudden appearance provoked both a sense of delicacy and abysm that totally dissolved my old image of the toy box. I had found a small doll’s house inside the child’s room of another doll’s house. It was so small and capriciously done but at the same time it was a guardian of a secret dark hole. Immediately my fantasy put inside of that doll’s house another doll’s house, and inside might exist another and then another and another and so on. Then I concluded that instead of a toy box the museum itself was a huge doll‘s house. So in a lapse of time reality had disappeared and instead of a tourist program I had found one staircase to the infinite.

MY ROOM

My room is my special place in the world, an artifice of my imagination, part a toy box, part a doll’s house, an irresistible refuge. By collecting objects I construct a world in miniature, where the memories of a childhood and the fancies of a hunter are constantly renewed through a melancholic eyeglass, through a magic looking glass. Objects are kept for a long time, objects are found in unsuspected places, objects are earned in special or common days. All of them become treasures in my collection of dreams. There in the bedtime I tell them stories and imagine that they will wake up at night, live their secret life and when I wake up again they won’t be able to return to the same place again. Their position are never fixed, nor their relation, nor their meaning, nor their articulation. But I’m sure that each one of them know by heart that one day can be asked to abandon their places in my wonderland’s game and will integrate an possibly allegorical and literary construction in a stop motion animation or in a book illustration.

THE LITTLE HOUSE

Inside my room you can find the exterior of my imaginary house. So, in my nightmare, is impossible to escape from my own imaginary world, because if I try to go out of my room I will get inside it again in my miniaturised world. The little house is a key of sizes, and in consequence it is also a trap. The little house has no windows. It is a black box, containing a dark secret, like a Moebius’ ring. Taking pictures of the room and putting the slides on it, I have created my possible windows, maybe possible exits. But when I put inside the house one picture of the house itself, I begin at the same time to imagine that inside of the house in the picture, might exist another window with the image of another house even smaller and inside this image another, and then another, and another up to infinite. In this way, if my room was inside that little house, I was taking the serious risk to be sucked in the spiral of images and be lost in this labyrinth of windows to the infinite. How could I go out of my room though my little house and be free of its irresistible traps?

LE FABULEUX DESTIN D’AMELIE POULAIN

After finding a children’s treasure in a little secret box, the life if Amelie Pulain have suddenly changed. She decided that if she could find the owner of that precious treasure she would begin to help people to change their lives. And she began to create many strategies for doing so. One contemporary fairy tale, it’s a fable about people’s necessity to break their eggshells to meet the others. Amelie Poulain also helped me. To come out of my own traps and be able to leave behind my private wonderland, I first decided to bring with me my miniaturised room as a nomad collector. Then I sought the Amelie’s strategy of the dwarf, making pictures of my little house in our fabuleux destin. Then we came together and left everything else behind.

Animação | Animation


FOGO DO AMORE [1997]




Epopéia tragicômica que inspirada nos cordéis, recria a trajetória de Lampião e Maria Bonita dentro do imaginário pop desse fim de século. Na Roda do Destino, Lampião se apaixona pela mulher do sapateiro, Maria, que mata o marido e vai ao cinema. “Assassinos por natureza”, caem nas graças da cultura de massa, por fim indo parar na roda do “super big fashion show”, junto às Barbies nas capas de revista e editoriais de moda.

Vídeo de animação em stop-motion criado a partir de pequenos objetos achados e guardados, carregados de subjetividade, contraste entre ferrugem e delicadeza. Objetos que são então apropriados simbolicamente, passando a contar histórias e incorporar personagens e estados de espírito.
Ao lado de referências à cultura popular nordestina e às telas de Portinari, o mito do cangaceiro é reinventado com ironia e sensibilidade, numa fantasia pós-moderna que mostra um pouco do Brasil em sua incessante reinvenção de seus símbolos nacionais.


FIRE OF LOVE

Tragicomic epic inspired on “cordéis” (pamphlets of popular literature), that depicts the life of Lampião and Maria Bonita* in the pop imaginary world of the end of last century. On the destiny wheel Lampião falls in love with the shoemaker’s wife, Maria, who kills her husband and goes to the movies. “Natural born killers”, they are accepted by the mass culture and are flashed on the wheel of the “super big fashion show”. They now belong to the jet set system of Barbies like the supermodels of the magazine’s covers.

A stop motion animation video, created with small found and kept objects full of subjectivity, contrast between rust and delicacy. Objects symbolically appropriated which tell us stories and play characters and landscapes. Besides references to the northeastern popular culture and Portinari’s canvases, the bandit myth is recreated with irony and sensibility, in a post-modern fantasy which shows a bit of Brazil within an interesting depicture of national symbols.

* Legendary bandits of Brazilian history, both loved and hated by the people, that lived in the beginning of the XXth century and represent one important symbol of national identity.



Fire of Love

I’m going to tell you now
about live images of memory
of once upon a time day
a beautiful and great story
of Maria Bonita and Lampião
that will open your heart.

Did day and night Lampião
with his wild bunch
travel throughout the land
of Brazil’s north-east
and stuck his heart
in the shoemaker’s home.

It was Maria her name
a well locked padlock
but she did not suit
with the shoemaker’s key
Lampião her beloved
opened it and got into her.

Lampião fell in love,
with the shoemaker’s wife
and the bandit in sequence
Maria did blossom
and a mortal shot
her husband killed.



Both loved each other
what everyone knows by heart
and in the movies did imagine
a big better future
and soon, very soon married
with lots of blood and sweat.



Maria did enjoy
when Lampião sewed
and often he laughed
to give his wife a gift
and on Maria’s garment
the future was displayed.

If Lampião was already tough
suddenly he did show
his talent to do fashion
with which he sewed
and Maria opened the curtains
of the “super big fashion show”.



One does get success
and Maria left herself
to the parades and Magazines
and if beautiful already she was
more than that she became
to live with what she wanted.

But time was going by
and they both soon realized
on the secret of success
and they did make plans
to get back so quick
to the land of them both.

There was once upon a time
two “natural born killers”
and do believe it all
the slaughter was so great
ten Barbies murdered on the floor
and thousands cheers to Lampião!

CRÉDITOS | CREDITS

Fogo do Amore | Fire of Love
Direção e Animação | Direction and Animation: Adriana Peliano
Texto e locução | Text and voice: Adriana Peliano
Bonecos e Objetos de Cena | Puppets and props: Adriana Peliano
Câmera e Trilha Sonora | Camera and Soundtrack: Paulo Beto
Edição | Editing: Alex Martoni
Ano de produção | Year of production: 1997

LAMPIÃO and MARIA BONITA

Criação de Adriana e Luisa Peliano.
[1997]
Created by Adriana and Luisa Peliano.





MAXICOSMOS DAS CÉLULAS PLÁSTICAS [2000]





Em um estranho laboratório são produzidos seres artificias passando por vários processos de elaboração: montagem de membros, implante de orgãos, vazão para o inconsciente, infusão de linguagem, escolha do sexo e cadastramento das patologias infantis. em um pesadelo filosófico desafia-se o mito de Frankenstein, o desejo do homem de aperfeiçoar a natureza, remetendo aos processos de clonagem e manipulação genética, e à relaçnao entre o homeme e a máquina e seus desdobramentos sinistros. Quem somos? De onde viemos? Para aonde vamos?

Artificial beings are created in a bizarre sci-fi laboratory. A philisophical nightmare which stimulates our questions about the sinister aspects of the relationship between the man, the science and the machine.
















CRÉDITOS | CREDITS
Maxicosmos das Células Plásticas: Maxicosmos of plastic cells
Direção | Direction: Adriana Peliano
Bonecos e Objetos de Cena | Puppets and props: Adriana Peliano e Daniela Brilhante
Animação | Animation: Adriana Peliano e Daniela Brilhante
Câmera, iluminação e trilha sonora | Camera, lighting and soundtrack: Paulo Beto
Edição | Editing: Tatiana Lohman
Ano de produção | Year of production: 2000

MILÁGRIMA [2004]





Adaptação do fragmento "Nuvoleta' da obra Finnegans Wake de James Joyce, traduzido pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos.Produzido para o centenário de comemoração do Bloomsday, 2004.


Fragment of James Joyce’s Finnegans Wake with translation of brothers Campos. It was produced to the centenary of the Bloomsday's celebration in 2004.

CRÉDITOS | CREDITS

Milágrima
Direção, animação e voz | Direction, Animation and voice: Adriana Peliano
Trilha sonora | Soundtrack: Paulo Beto
Texto | Text: James Joyce.
Ano de produção | Year of production: 2004

RECOSTURAS [2005]





Vídeo de apresentação do curso de Pós-Graduação de Direção de Criação em Moda da FAAP.

Video created to promote the Pos-Graduation course in Fashion Design and Art Direction of FAAP (Armando Álvares Penteado Foundation, São Paulo, Brazil).

CRÉDITOS | CREDITS

Recosturas
Direção, animação e objetos | Direction, Animation and Props: Adriana Peliano
Trilha sonora | Sound Track: Paulo Beto
Ano de produção | Year of production: 2005

CTRL ALT DEL [2005]





Desconstrução do rasgo das roupas de papel no desfile de Jum Nakao no São Paulo Fashion Week / 2004 para a palestra de Jum Nakao na abertura do festival do minuto / 2006.


Using images from the Fashion show of Jum Nakao in SPFW / 2004.

CRÉDITOS | CREDITS

Ctrl + alt + del
Direção e animação | Direction and Animation: Adriana Peliano
Texto | Text: Walter Benjamin
Edição e desenho Sonoro | Editing and Soundtrack: Paulo Beto
Voz | Voice: Bianca Viani
Fotos | Photos: Fernando Louza
Fotogramas | Frames: Eliana Bordin
Ano de produção | Year of production: 2005

01/01/2009

Artes Visuais | Visual Arts


MONSTRUÇÕES








Monstruações. 60 X 80 cm. [2008]

Segundo o filósofo português José Gil, se os monstros proliferam em nossa cultura, é sinal da grande dúvida que assaltou o homem contemporâneo quanto a sua própria humanidade. O homem ocidental já não sabe distinguir com nitidez o contorno de sua identidade na perda dos diferentes pontos de referência que tradicionalmente lhe davam uma imagem estável de si próprio.

Na série de imagens Monstruações, convivem uma imagem formatada da feminilidade com máscaras de monstros num encontro inesperado. A presença monstruosa aparece aqui como um desafio e a sugestão de que a subjetividade não é mais o lugar seguro que costumávamos crer.

O conto de fadas é ameaçado por corpos mutantes, causando um misto de atração e repulsa. O grito de horror se transforma em riso gerando uma ambigüidade que intensifica a instabilidade de figuras femininas fragmentadas, imperfeitas e estranhamente familiares.

Monstruações (Monstruations)

According to the portuguese philosopher José Gil, if monsters proliferate in our culture, it’s a sign of the great doubt that has struck contemporary man as to his/her own humanity. Western man no longer knows how to distinguish clearly the outline of his own identity, with the loss of those different points of reference that traditionally gave him/her a stable image of him/herself.

In the series of images Monstruaçoes, a formatted image of femininity keeps company with masks of monsters in an unexpected encounter. The monstrous presence appears here as both a challenge and suggestion that subjectivity is no longer the safe place we used to believe it to be.

The fairy tale is threatened by mutant bodies, causing a mixture of attraction and repulsion. The cry of horror is transformed into laughter creating an ambiguity that intensifies the instability of fragmented female figures, imperfect and strangely familiar.

FLUXO ANFÍBIO








Fluxo Anfíbo. 45cm X 60cm. [2007]

Em um conto de fadas do séc. XVII de Marie Jeanne L’Héritier, a irmã malvada foi amaldiçoada e acabou cuspindo sapos, lesmas e caracóis, enquanto rosas e pérolas caíram dos lábios de sua irmã boa. No livro “Da Fera à Loira”, Marina Warner interpreta o conto atribuindo poder à fala feminina, na luta da autora por um ideal aristocrático e precioso de linguagem apropriado às mulheres. Nesse sentido, o feminino precisava se amoldar a certos princípios elevados de doçura cortesã: os sapos eram magia negra, fala coloquial, grosseria; as pérolas, refinamento, sinceridade e bondade. O conto mostra portanto como a mulher precisava manobrar entre as imagens negativas e positivas de seu sexo para argumentar a favor de seu valor e aceitação.

Integramos aqui as pérolas e sapos num mesmo fluxo oral, superando o maniqueísmo marcante no conto. Dessa forma a imagem se potencializa ao descolar-se da narrativa, como cartografia do desejo feminino, transbordando novos sentidos.

Fluxo anfíbio. Fotografias. Coletiva “Living Room”,Galeria Emma Thomas. São Paulo, SP. [2007]

English Version

In a 17th century fairy tale by Marie Jeanne L’Héritier, the wicked sister was cursed and ended up spitting toads, slugs and snails, while roses and pearls fell from the lips of her good sister. In the book “Da Fera à Loira” (From the Beast to the Blond), Marina Warner interprets the tale as attributing power to female speech, in the author’s struggle for an aristocratic and precious ideal of language suitable for women. In this sense, the female needed to conform to certain elevated principles of courtesan sweetness: the toads were black magic, colloquial speech, foul mouthed; the pearls, refinement, sincerity and goodness. The tale shows however how the woman needed to maneuver between the positive and negative images of her sex to argue in favor of her worth and acceptance.

Here both the pearls and toads are integrated within the same oral flow, overcoming the pronounced Manichaeism in the tale. In this way the image takes on more power in detaching itself from the narrative, mapping female desire as spilling out new meanings.

TRANSFORMATIONS

All those girls
Who wore the red shoes
Each boarded a train that would not stop

Anne Sexton’s "The Red Shoes"



Transformations. 20 cm x 30cm. [2008]

Beware of your stepmother,
they said.
She will try once more.



Transformations.20 cm x 30cm. [2008]

"She domesticate my terror, examines it and describes it, teaches it some tricks which will amuse me, then lets its gallop wild in my forest once more". Kurt Vonnegut


Transformations.30 cm x 20cm. [2008]

PENETROPIAS

Into the red velvet of your belly
Into the blackness of your secret cries
I have ventured…
Joyce Mansour















Penetropias - 23 cm X 75 cm. Caixa de Luz e imagem digital.[2003]

Dealing with the objective chance, the proposal was progressing through the idea of transforming objects into bodies, while in my laboratory strange anatomies began to emerge. The rigid and functional forms of bottles and glass containers were recreated, proposing new territories of desire, which blurred the boundaries between the inner and the outside world.

Now the beauty comes from the encounter of a glassy object and a cropped body. New anatomies are brought into the light in the encounter of the objects and the objectif, dazzling their borders and challenging their recognition according to the frame and each point of view. The boundaries between the objects and the bodies are blurred and these encounters witness strange transpositions of things to a different register. We see the bodies redefined through successive acts of displacement.

The straight body is transformed due to the effect of the glasses, which threaten its boundaries and stabile identity, making it suffers a process of metamorphosis. The operation disrupt the image of the desirable, natural and harmonious female body, forging a sense of ambiguity that convey the body in a fragmented, emerging, uncertain, and changing state. The images portrait formal configurations that promote a dialogue between the reality transformed through photography and the erotic symbols produced in the eyes of the viewer, conciliating attractive and compulsive forces.

Paradoxical objects of desire, dualities like inside and outside, male and female, dead and alive are disrupted by uncontrolled convulsions, which mix images of desire and death. The part becomes a whole, the object becomes a body, the body is turned into an(other). Emptiness and overflowing, lack and excess, mixtures and penetrations crisscross boundaries, bodies and fixed and unequivocal identities. In a dynamic of hiding and revealing, displacing and re-signifying, the images hide and reveal fetishist and uncanny and surrealist connections. It is what it isn’t.

Final Work | MA in Media Arts and Communication Design | Kent Institut of Art and Design. [2002 - 2003]
‘Compulsive Bodies’ General Education Centre. Londres, UK.[2003]
‘Compulsive Bodies’ Kent Institute of Art and Design. Maidstone, UK.[2003]

Artes Gráficas - Livros | Graphic Design - books


Projeto Gráfico. A Costura do Invisível. livro. São Paulo, SP. [2005] Páginas selecionadas.
Graphic Design.Sewing the Invisible. Book. São Paulo, SP. Selected Pages.

A capa do livro recebeu o segundo lugar do prêmio Jabuti em 2006.
Além do projeto gráfico, fui também responsável pela seleção de textos do livro.























http://www.jumnakao.com.br

Projeto Gráfico. Grupo Oficcina Multimédia. livro. Belo Horizonte, MG. [2007] Páginas selecionadas.

Graphic Design. Oficcina Multimédia Group. Book. Belo Horizonte, MG. Selected Pages.




















http://www.oficcinamultimedia.com.br

Artes Gráficas - cartazes etc | Graphic Design - posters etc


Capa de CD. LO - FI Genesis. Banda Anvil FX. São Paulo, SP. [1999]
CD. LO - FI Genesis. Anvil FX band. São Paulo, SP. [1999]











Ilustrações para capa de CD. Dense Music de Anvil FX [1999]
Collages for CD cover. Dense Music by Anvil FX.







Cartaz e programa. Evento Cultural. Dada Dadaisto Dadaquilo Dada. Promoção Grupo Oficcina Multimédia. Belo Horizonte, MG. [2000]
Poster and program. Dada Dadaisto Dadaquilo Dada. Cultural Event. Promotion Oficcina Multimédia Group. Belo Horizonte, MG. [2000]



Cartazes e Flyers. Eventos Culturais. Bloomsday. Grupo Oficcina Multimédia. Belo Horizonte, MG. [Datas Variadas]
Bloomsday. Posters and Flyers. Cultural Events. Oficcina Multimédia Group. Belo Horizonte, MG.







Cartaz e Flyer. Eventos Culturais. Bienal dos Piores Poemas. Grupo Oficcina Multimédia. Belo Horizonte, MG. [ Datas variadas]
Posters and Flyers. Cultural Events. Worst Poems Festival. Oficcina Multimédia Group. Belo Horizonte, MG.





Cartaz e programa. Festival de Arte e Cultura. Verão Arte Contemporânea.Belo Horizonte, MG.
Poster and program. Art and Culture Festival. Summer Art Festival. Belo Horizonte, MG.

[2007]

[2008]

[2009]

Cartaz e Flyer. Espetáculo teatral. Querida Molly. Direção Mônica Ribeiro. Belo Horizonte, MG.(Inspirado na obra Ulisses de James Joyce.)[2000]
Poster and Flyer. Theatrical performance. Dear Molly. Direction Mônica Ribeiro. Belo Horizonte, MG. (Inspired on James Joyce’s Ulysses.)





Estudo para o personagem. (Colagem sobre Cindy Sherman)
Research for the Charachter. (After Cindy Sherman)



Cartaz, programa e etc. Espetáculos teatrais. Grupo Oficcina Multimédia. Belo Horizonte, MG.
Posters and program. Theatrical performances. Oficcina Multimédia Group. Belo Horizonte, MG.

[2000] Zaac & Zenoel.




[2001] A Casa de Bernarda Alba. (Inspirado na Obra de Federico Gracia Lorca) Bernarda Alba's house. (Inspired on Federico Garcia Lorca)



[2005] A Acusação (Inspirado na obra O Processo de Franz Kafka)
The Trial(Inspired on Franz Kafka)



[2007] Be-a-Bá Brasil.



Flyer. Eventos Culturais. Show da Banda Zeroum. São Paulo, SP.[2006]
Flyer. Cultural Events. Zeroum Band. São Paulo, SP.



Catálogo. Desfile de Jum Nakao em Paris. Brasil - França.[2005]
Catalogue. Fashion show of Jum Nakao in Paris. Brazil - France.




Primeiras Colagens | First Collages


PRIMEIRAS COLAGENS | FIRST COLLAGES [1988]

Minhas primeiras Aventuras no mundo da Colagem, livremente inspiradas no Surrealismo e nas brincadeiras infantis de cola e tesoura.

These are my first adventures with Collage, inspired on surrealism and children's games of cut and paste.








































Quem sou eu? | Who am I?



Adriana Peliano é designer e artista plástica. Seu trabalho como artista transita em diferentes suportes como o vídeo, a instalação e a fotografia e, como designer, dialoga com outras linguagens como a música, a moda, a literatura e o teatro.

Formada em Comunicação na UnB em Brasília, fez pós-Graduação em Design Gráfico no Senac em São Paulo e Mestrado em ‘New Media Arts’ no Kent Institut of Arts and Design em Maidstone/UK.

Desde 98 trabalha com o Grupo Oficcina Multimédia da Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte produzindo vídeo cenários, instalações e peças gráficas para espetáculos e eventos culturais.

Na década de 90 desenvolveu a pesquisa ‘Alicinações’ na qual criou ilustrações para os livros de Lewis Carroll “Alice no Pais das Maravilhas” e “Através do Espelho e o que Alice encontrou lá”. Suas ilustrações foram apresentadas na semana de comemoração do centenário de Lewis Carroll em Oxford/UK em 98.

Trabalhou com o estilista Jum Nakao para quem desenvolveu o projeto gráfico do livro ‘A costura do invisível’ sobre o desfile de papel realizado no SPFW/2004. Com esse projeto recebeu o segundo prêmio na categoria melhor capa do prêmio Jabuti em 2006.

Em 2007 foi uma das artistas selecionadas para o 11o Festival da Cultura Inglesa, onde apresentou, em parceria com o artista Nazareno, a instalação multimídia ‘As Máquinas de Desejo de Angela Carter’ inspirada no universo dos contos de fadas recriado pela escritora inglesa de mesmo nome. Tem participado de outas exposições desde então.

Foi também professora na disciplina “Moda, identidade e linguagem” do curso de pós-graduação em “Direção de Criação em Moda” do Instituto Brasil Arte e Moda e da FAAP. Vive e trabalha em São Paulo.



Adriana Peliano is a designer and visual artist. Her work as an artist transits between different media such as video, installation and photography and, as a designer, sets up a dialogue with other languages like music, fashion, literature and the theater.

Graduated in Communications from UnB in Brasília, she Post-Graduated in Graphic Design at Senac in São Paulo and took her Masters in ‘New Media Arts’ at the Kent Institute of Arts and Design in Maidstone/UK.

Since 98 has worked with the Grupo Oficcina Multimédia of the Belo Horizonte Artistic Education Foundation, producing video, sets, installations and graphics for shows and cultural events.

In the nineties developed her research ‘Alicinações’ (Alicinations) in which she created illustrations for the Lewis Carroll books “Alice in Wonderland” and “Through the Looking-Glass and what Alice found there”. Her illustrations were shown during the week commemorating Lewis Carroll’s centenary in Oxford/UK in 98.

Worked with the fashion designer Jum Nakao for whom she developed the graphic project of the book ‘A costura do invisível’ (Sewing the Invisible) about the fashion show in paper that took place in the SPFW (São Paulo Fashion Week) /2004. For this project she received the second place award in the best cover category of the Jabuti award in 2006.

In 2007 was one of the artists chosen for the 11th Cultura Inglesa Festival, where she presented, jointly with the artist Nazareno, the multimedia installation ‘As Máquinas de Desejo de Angela Carter’ (The Desire Machines of Angela Carter) inspired in the fairy tale universe recreated by the English writer of the same name.

Was also teacher of the “Moda, identidade e linguagem” (Fashion, identity and language) discipline of the post-graduate course on “Direção de Criação em Moda” (Art Direction in Fashion Design) of the Brazilian Art and Fashion Institute of FAAP. (Armando Alvares Penteado Foundation) Lives and works in São Paulo.

FORMAÇÃO ACADÊMICA

2009 - em andamento | Mestrado em Estética e História da Arte na USP / SP.
2002 - 2003 | MA (Master of Arts) em ‘Media Arts and Communication Design’ no Kent Institute of Art and Design. Maidstone, Inglaterra, UK.
2001 | Pós graduação em ‘Design Gráfico’ no SENAC / SP. São Paulo, SP.
1996 - 2000 | Formada em ‘Comunicação’ na UnB com habilitação em Publicidade e Propaganda. Brasília, DF.
1992 - 1995 | Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. Brasília, DF. (incompleto)

VÍDEOS REALIZADOS

2006 | ‘Cuidado Móvel’. 28’. São Paulo, SP.
2005 | ‘Como Vocês Podem Ver’, 50’. São Paulo, SP.
2005 | ‘Recosturas’, 5’. São Paulo SP.
2005 | ‘Ctrl + alt + del’, 1’. São Paulo, SP.
2004 | ‘Milágrima’, 4’. São Paulo, SP.
2000 | ‘Maxicosmos das Células Plásticas’, 4’20’’. Brasília, DF.
1997 | ‘Bula da Informação’, 14’30’’. Brasília, DF.
1997 | ‘Fogo do Amore’, 3’40’’. Brasília, DF – Juiz de Fora, MG.

MOSTRAS COLETIVAS

2009 | ‘Cora’ e ‘Sapatinhos Vermelhos’. Fotografias. Coletiva “Um Mundo sem molduras”. MAC / USP, SP.
2007 | ‘Fluxo anfíbio’. Fotografias. Coletiva “Living Room”, Galeria Emma Thomas. São Paulo, SP.
2009 | A roupa "Mil peles" participou do desfile "Arte na Moda e Moda na Arte", parte do evento "Verão Arte Contemporânea". Belo Horizonte, SP.
2007 | ‘As Máquinas de Desejo de Angela Carter’. Instalação multimídia. Co-realização com Nazareno. 11o. Festival da Cultura Inglesa. Centro Brasileiro Britânico, São Paulo, SP.
2007 | ‘Como vocês podem ver ainda’. Vídeo-instalação. Coletiva “Bipolar”, Galeria Emma Thomas.
São Paulo, SP.
2005 | ‘Como vocês podem ver’. Instalação e Vídeo-performance. Coletiva “Ocupação”, Paço das Artes. São Paulo, SP.
2003 | ‘Compulsive Bodies.’ General Education Centre. Londres, UK.
2001 | ‘Ex-colher’, objeto. Coletiva ‘Dada Dadaisto Dadaquilo Dada’. Centro de Cultura Belo Horizonte. Belo Horizonte, MG.
2001 | ‘1000 caixas surpresas’, Instalação. Coletiva ‘Dada Dadaisto Dadaquilo Dada’.
Centro de Cultura Belo Horizonte. Belo Horizonte, MG.
2001 | ‘1000 caixas surpresas’. Evento ‘Bloomsday’. Teatro Francisco Nunes. Belo Horizonte, MG.
2001 | ‘Alicinações’. Ilustrações. Exposição comemorativa sobre ‘Alice no país das Maravilhas’. Biblioteca Demonstrativa de Brasília. Brasília, DF.
1999 | Ilustrações. Coletiva ‘Verso versus Plástica’. Biblioteca Demonstrativa de Brasília. Brasília, DF.
Mostras Individuais
2003 | ‘Compulsive Bodies’ Kent Institute of Art and Design. Maidstone, UK.

CONCEPÇÃO DO ESPAÇO EXPOSITIVO

2006 | Parceria com Jum Nakao. ‘Percurso 2006’. FAAP. São Paulo, SP.
2005 | Equipe Jum Nakao. ‘Costurando o Invisível - Ar de Paris’. Galeria Lafayette. Paris, França.

PRÊMIOS RECEBIDOS

2006 | A instalação ‘As Máquinas de Desejo de Angela Carter’ foi selecionada para o 11o. Festival
da Cultura Inglesa na categoria artes plásticas. São Paulo, SP.
2006 | Segundo lugar no Prêmio Jabuti na categoria melhor capa e mais uma indicação na categoria melhor projeto gráfico pelo livro ‘A Costura do Invisível’ de Jum Nakao.
2004 | Primeiro prêmio com o vídeo ‘Milágrimas’ na comemoração do centenário do ‘Bloomsday - Dia Internacional de James Joyce’ evento promovido pelo Grupo Oficcina Multimédia da Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte. Belo Horizonte, MG.
2001 | Prêmio do juri popular no ‘Salão do Objeto’ do evento ‘Dada Dadaisto Dadaquilo Dada’ promovido pela Secretaria de Cultura de Belo Horizonte. Belo Horizonte, MG.
1999 | Segundo lugar com ilustração na mostra ‘Verso versus Plástica’ na Biblioteca Demonstrativa de Brasília. Brasília, DF.