17 de abr de 2013

Caçando Alice em Sete Crises


Adriana Peliano


Colagem de Adriana Peliano sobre ilustração de John Tenniel

Elena Kalis

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RIO


Alice foi criada na barca do sonho, num espelho líquido, seguindo o movimento do desejo, da imaginação e da curiosidade. Nasceu sobre o rio com seus duplos e reflexos, na correnteza e na contra corrente, na geometria de risos e estranhos paradoxos. Um livro agente não lê; a gente se precipita nele. Ele está, a todo instante, em torno de nós. Sentada nas margens, Alice iria se perguntar: e de que serve um livro sem figuras e nem diálogos? Faz de conta que Alice tenha sido mesmo o livro mais ilustrado de todos os tempos. Isso nos mostra que continuamos respondendo a pergunta que Alice não fez: E de que serve um livro com figuras e com diálogos?


Elena Kalis

The Hunting of Alice in Seven Fits


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RIVER


Alice was raised on a ship of dreams, in a liquid looking-glass, following the currents of desire, imagination, and curiosity. She was born on a river, with its switchbacks and reflections, following and fighting the flow, in the geometry of laughter and strange paradoxes. We do not read a book; we dive into it. It surrounds us, constantly. Sitting on the bank, Alice would ask herself: and what is the use of a book without pictures and conversations? Alice has been perhaps the most illustrated book of all time. This shows that we continue to answer the question that Alice did not ask: and what is the use of a book with pictures and conversations?

continue...





Esse artigo foi publicado em:
This text appeared as an article in:

The Lewis Carroll Society of North America
Winter 2011 | Number 87 | Volume II Issue 17

"Publicação científica digital  do grupo de pesquisa
 Produção literária e cultural para crianças e jovens da USP".

Foi também apresentado no evento "Um dia, Alice 2012"
realizado na Casa das Rosas.

Conteúdo:
Alice viaja através das artes visuais, das ilustrações vitorianas à arte contemporânea, passando pelo surrealismo, os filmes da Disney e as Gothic Lolitas. Nesse percurso surgem novas articulações entre texto e imagem que enfatizam a multiplicidade de leituras que a obra de Lewis Carroll abre caminho. Alice ganha vida própria nas tessituras da cultura, menina caleidoscópico, monstro fabuloso no labirinto da linguagem e da imaginação. Ao invés da pergunta “Quem é Alice?”, hoje existem caminhos que desbravam novas possibilidades do que Alice pode vir a ser.... Esse artigo é uma caça por Alice em suas metamorfoses e devires.

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